Era umas cinco horas da manhã de um sábado. Acordei com uma movimentação no corredor, notei as luzes acesas pelas frestas da porta que de repente se abre.
_ Acorda, filho! Já está quase na hora de sairmos.
Esqueci que combinei com o pai de acampar neste fim de semana. Vai ser uma boa distração pra nós dois esquecermos um pouco a ausência da mamãe.
_ Me dá uns 5 minutinhos... - Resmunguei.
Como eu sei que acordar muito cedo não é algo que eu consiga fazer com tanta facilidade como o pai, já deixei minhas coisas todas arrumadas ontem a noite. Acho que herdei da mamãe essa indisposição matinal.
Hora de levantar senão daqui a pouco o velho vem “me tirar da cama pela orelha”.
_ Puts! Os cinco minutos viraram quinze!
Einstein estava mesmo certo, tempo é relativo. Esse fim de semana, por exemplo, vai durar uns três anos. Preciso de café...
_ FILHO! LEVANTA SENÃO VOU AÍ TE TIRAR PELA ORELHA! - Grita o meu pai de algum lugar da casa.
_ JÁ LEVANTEI!
Como de praxe, o café já está pronto. Eu nunca vi meu pai ou minha mãe fazendo café, quando eu era mais novo achava que nossa garrafa era mágica e que o café simplesmente aparecia nela, às vezes me pego pensando nisso com nostalgia.
Quando saio pra guardar minha mochila no carro, vejo que meu pai já cuidou de tudo, está agora verificando os pneus.
_ Pai, esse parque onde vamos acampar é muito longe? - Perguntei bocejando de sono.
_ Fica a umas três horas daqui. Se dermos sorte de não ter problema no trânsito, chegaremos lá antes disso. - Responde meu pai numa empolgação que fazia muito tempo que eu não via.
Ele realmente está animado, então nem vou sugerir adiarmos a viagem em mais umas horas pra eu poder dormir.
Os primeiros raios de sol começam a aparecer no horizonte enquanto estamos saindo da garagem. A neblina está densa, o que é o prelúdio de um fim de semana quente no meio do mato.
_Ao menos tenho meu celular… - Penso em voz alta.
_ Não senhor. Celular esse fim de semana vai ser só pra emergência, e quando digo emergência, não estou falando de rede social. - Meu pai pega o celular e guarda no bolso. Vai ser muito mais longo do que eu imaginei.
Já estamos há três horas na estrada e o máximo que meu pai falou foi de um terreno que ele costumava jogar bola com os amigos quando tinha minha idade e que agora construíram uma fábrica nele. Eu gostaria de falar sobre a mamãe, mas eu acho que não estou pronto pra isso também.
_ Chegamos à reserva, filho! Agora só mais uns vinte minutos de carro e o restante do caminho é a pé.
_ Yei! Andar na floresta carregando vinte quilos de equipamento nesse calor. Não tem uma área mais próxima não?
Pelo olhar que ele me deu, acho melhor eu parar de reclamar senão ele me abandona no meio da floresta.
Chegamos ao “estacionamento” da reserva florestal. Uma área plana de terra batida, com um cercado feito de troncos e com uma cabana, também de madeira, que deve ser a morada do guarda-florestal, tudo isso cercado de árvores com a estrada que viemos do lado sul e a trilha no lado oposto.
Fomos até a cabana do guarda, para fazer o registro de entrada na reserva. Ele estava na porta para nos receber. Provavelmente ele não recebe muitas visitas por aqui e ver um ser humano de vez em quando deve ser o ápice da semana dele.
_ Bom dia! Escolheram um ótimo dia para fazer trilha, senhores. - Fala o guarda. Pelo menos é simpático.
_ Bom dia, Sr. Kelson! - Responde meu pai estendendo a mão para cumprimentar o guarda enquanto o identifica pelo nome gravado no uniforme. - O tempo parece firme. Demos sorte mesmo.
_ Bom dia, seu guarda! - Eu disse isso e já imaginei o Zé Colméia revirando nosso carro a procura de uma cesta de piquenique.
Enquanto meu pai conversava com o guarda eu fiquei olhando as fotos emolduradas que estavam por todas as paredes da sala de atendimento; pessoas se divertindo em cachoeiras, escalando paredões de pedra, subindo em árvores, bebendo em suas barracas. Acho que eu consigo me divertir assim também.
_ Rapaz, se vocês tirarem uma foto que queiram deixar no mural também, é só enviar pra nós ou trazer numa próxima visita. - Sugere o guarda.
_ Faremos isso. - Diz meu pai com um sorriso no rosto e olhando pra mim.
Fizemos o registro de entrada na reserva, pegamos nosso equipamento e, com o mapa que o guarda nos deu, partimos para a caminhada rumo à área especial que meu pai quer que acampemos.
A trilha é muito bonita, logo em seu início atravessamos uma pequena corredeira por uma ponte de madeira. O terreno não está muito seco e o caminho é todo ladeado (até agora) por árvores, o que acaba mantendo a temperatura bem agradável.
_ Eu costumava vir aqui acampar com meus amigos, filho. Foi aqui que eu e sua mãe nos conhec--
_ Não tem problema, pai. Se você não quiser falar disso agora, não precisa.
Ele ficou calado e continuou assim até chegarmos à área que ele queria acampar. Mas a gente precisa conversar sobre a mamãe e se não fizermos isso aqui, não faremos nunca. Mais tarde eu toco no assunto.
_ É aqui, filho!
Finalmente conheci o tal lugar. Fica às margens de uma área de mineração abandonada, uma lagoa de água cristalina se formou la embaixo alimentada por um pequeno riacho que nasce no topo da serra, lá do outro lado, a erosão abriu caminho para o excesso de água escoar e abriu caminho pra natureza retomar o que era dela, a vegetação começou a adentrar a cratera, mas foi detida pelo terreno pedregoso num contraste perfeito.
_ Você tinha razão, pai. Valeu mesmo a pena a caminhada, o lugar é lindo.
_ Pois é, resmungão. Pegue, vai tirar umas fotos pro seu Instagram. - Entregou meu celular e logo eu vi que não tem conexão aqui, mas já é alguma coisa.
_ Eu vou montar logo a barraca pra podermos começar a preparar o almoço. Filho, enquanto isso vá procurar uns galhos secos pra gente fazer a fogueira. Estou morrendo de fome.
Vou buscar a lenha lá embaixo, perto da lagoa e já aproveito para tirar uma fotos. O caminho é bem estreito, só passa uma pessoa, mas acho que não vou encontrar ninguém por aqui mesmo.
_ E TOMA CUIDADO! NÃO SE AFASTE MUITO! - Grita o meu pai lá do alto.
_ BELEZA, PAI!
A visão daqui de baixo é magnífica, os paredões, as árvores, é lindo! Preciso tirar muitas fotos pra mostrar pro pessoal. Quem sabe eles não se animam pra acamparmos aqui juntos.
Enquanto tiro as fotos, percebo algo estranho no céu. Parece que é um paraquedista, mas é grande demais pra ser um, vou tentar usar o zoom da câmera pra ver melhor…
_ Mas que diabos é isso?!
Volto correndo para mostrar a gravação para o meu pai.
_ Você viu aquilo, filho? - Diz o meu pai em tom de preocupação.
_ Vi sim e filmei com o celular. Dá uma olhada… - Enquanto meu pai assiste eu fico imaginando mil possibilidades. Preciso saber o que é aquilo. - Pai, vamos até lá saber o que é.
_ Vamos! Pode ter alguém precisando de ajuda.
O objeto que vimos caindo do céu não está muito longe, no máximo a quinhentos metros de distância. O formato parecia ser a cabine de um avião, mas elas não se desprendem daquele jeito, não pode ser isso. E os paraquedas?!
_ Eu já vi aquilo antes, filho. É uma cápsula espacial de fuga da Estação Espacial Internacional. Deve ter acontecido algo grave na Estação.
De longe já avistamos a tal cápsula, e já tem alguém lá. É o guarda Kelson. Ele abriu a cápsula e está conversando com alguém. Antes mesmo de nos aproximarmos mais, ele desce e vem ao nosso encontro.
_ Vocês estão acampando perto da lagoa? -Se antecipa o guarda.
_ Estamos. Vimos essa coisa aí caindo e viemos ver o que era. - Respondo.
O guarda me olha fixo nos olhos por alguns segundos como se estivesse desconfiado de alguma coisa.
_ Tem uma mulher na cápsula. Ela está inconsciente. Eu preciso ir até a minha cabana buscar o jipe pra poder levá-la até um hospital. Vocês podem tomar conta dela até eu voltar?
_ Podemos sim! - Digo pro guarda querendo que ele vá logo pra eu poder ver a cápsula e a astronauta mais de perto.
_ Temos uns cobertores em nossa barraca, vamos improvisar uma maca e levá-la até onde estamos acampados se ela não estiver muito ferida. Facilitaria quando você voltar. Estou acampando com meu filho ali na pedreira. - Sugere meu pai ao guarda.
_ Ela não está machucada, só está fraca e ajudaria muito se vocês a levarem até perto da trilha. Eu volto em menos de meia hora! - Fala o guarda já caminhando apressado em direção à trilha.
O espaço sempre me fascinou e agora eu vou ter a chance de ver de perto uma cápsula espacial e uma astronauta de verdade. Estou muito empolgado.
_ Filho, vá até o acampamento e pegue meu cobertor, eu vou cortar um bambu daqueles ali mais a frente pra fazermos a maca.
_ Mas, pai--
_ Vai logo, rapaz! A moça precisa ser removida.
Ele está certo, mas poderia ter deixado eu ver a astronauta antes.
Chego correndo no acampamento, só abro a barraca e puxo o cobertor que traz junto um livro que meu pai trouxe e, de dentro dele, cai um envelope todo amassado e manchado de amarelo. Minha curiosidade sobre a cápsula e a astronauta é maior que qualquer outra coisa, o envelope pode esperar. O coloco no bolso e volto correndo para onde está meu pai.
Ao me aproximar, vejo meu pai chorando sentado de costas para a cápsula, abraçado à astronauta que está em seu colo.
_ Pai, o que aconteceu?!
Ele vira a moça que está dormindo em seu colo de forma que eu possa ver seu rosto.
_ Veja, é sua mãe! Ela está viva!
_ O que?! Essa aí não é a mamãe. Do que o senhor está falando?!
Meu pai está perturbado. Eu nunca vi ele daquele jeito, nem quando soube do falecimento da mamãe.
Ele a coloca delicadamente no chão, pega os bambus cortados pra montar a maca e os coloca em paralelo.
-Filho, me dê o cobertor. Precisamos levá-la logo ao acampamento antes que guarda chegue.
Ele está claramente transtornado. Seus olhos estão fixos, quase não piscam e não para de se virar para olhar pra astronauta enquanto improvisava a maca.
_ Pai, o senh--
_ Vamos! Me ajude a colocá-la na maca.
Enquanto seguimos para o acampamento, o comportamento do meu pai fica ainda mais estranho. Ele começa a falar como se alguém tivesse conversando com ele e esse alguém fosse minha mãe. Além de constantemente ficar virando pra ver a astronauta.
A essa altura, o guarda já deve estar voltando. Vou desmontar o acampamento para ir junto e levar meu pai ao hospital, ele não está bem.
_ O que você está fazendo, filho?
_ Vou guardar tudo para podermos acompanhar a… mamãe ao hospital. - Melhor não contrariá-lo neste momento.
A astronauta então acorda. Ela simplesmente levanta, se vira para meu pai e fica encarando-o. Ele, que já estava em pé, apenas se vira para ela e fixa-se nela da mesma forma.
_ Moça, você está bem? Você fala português? - Pergunto, mas ela não responde.
_ Pai, fala comigo. O senhor está me assustando!
Isso acontece por cerca de alguns minutos. Nenhum dos dois me responde ou se move. Então, meu pai começa a falar frases desconexas.
_ É na próxima à direita… Quatro colheres de café… Tenho que mostrar a carta…
Essa última frase me faz lembrar do envelope que encontrei no livro do meu pai. Está muito amassado. Reconheço a letra de minha mãe no conteúdo do envelope…
“Tenho acordado todos os dias tentando entender o que se passa
dentro de mim. Às vezes sou a pessoa mais doce do mundo, às vezes
a mais ruim. O vazio dentro de mim me persegue e, na maioria das vezes,
muda minha personalidade de uma hora pra outra, me tornando assim, essa
pessoa desagradável. Já tentei mudar, mas todas as tentativas foram em vão,
porque eu nem ao menos sei o que se passa aqui, aqui dentro. Me perdoem.”
_ Pai que é isso?! Por que a mamãe escreveu isso?! PAI!
Ele não precisava responder, mas eu não queria acreditar no que eu acabara de ler e entender. Ela não poderia fazer isso, ela não tinha o direito.
_ ME RESPONDA PAI! O QU--
Sou interrompido por um grunhido da astronauta que começa a se despir, ainda virada para meu pai. Sua pele por baixo do uniforme parece meio pegajosa e um pouco transparente, consigo ver suas veias latejando. Então percebo uma protuberância em suas costas, como se suas vértebras estivessem inchadas, então a coluna dela começa a se desprender das costas.
_ PAI, VENHA PRA CÁ!
Não era a coluna, era alguma coisa presa a ela, uma criatura que eu nunca vi antes. A parte debaixo parecia ter vários dentes que estavam se desprendendo da coluna da astronauta, e agora a criatura começava a se dividir em duas.
Pego um galho grosso que eu tinha recolhido para a fogueira e vou para perto do meu pai.
Uma das partes da coisa começa a descer pelo corpo da astronauta e vem correndo em nossa direção enquanto a outra parte volta a se prender no corpo da mulher. Atiro a lenha na criatura a acertando em cheio. Parece tê-la debilitado, eu aproveito o momento e a chuto para a fogueira.
_ SE AFASTE DE NÓS! - Grito desesperado para a criatura que está em chamas na fogueira.
Um novo grunhido, dessa vez mais alto, respondido por meu pai por igual que se vira para mim e me acerta um soco no peito.
_ P-Pai?! - Mal consigo falar daqui do chão, o soco me tirou quase todo o ar.
Um novo golpe me acerta, um chute nas pernas, tão doloroso quanto o soco. O que está acontecendo? Por que ele está me atacando? Ele está com os olhos fixos em mim.
Numa tentativa de defesa, ainda caído no chão, o empurro com os pés com toda minha força para longe de mim. Ele se desequilibra e cai sobre a astronauta derrubando-a de costas no chão. Nesse momento um novo grunhido misturado com um grito de dor vindo da astronauta.
Passado alguns instantes, eu ainda recuperando o fôlego, meu pai se levanta.
_ Filho, quem é essa mulher? O que aconteceu aqui? - Eu ainda não sabia se podia confiar nele.
_ Porque o senhor estava batendo em mim, pai?
_ Do que você está falando?!
Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo, mas sabia que essas coisas eram a causa e eu precisava acabar com elas.
_ Pai, venha pra cá! Se afaste dela.
_ VENHA LOGO, PAI! - Eu nunca havia falado com ele daquela forma, talvez por isso ele tenha me obedecido.
A astronauta se levanta. Sangue e um líquido que lembra pus escorrem por suas pernas. Um novo grunhido e meu pai fica em transe novamente. Ele se vira e começa a andar.
_ O que você está fazendo com ele?! Pare!
Ele está caminhando em direção ao penhasco. A astronauta também se vira e começa a caminhar calmamente em direção à trilha.
_ PAI PARE!
Eu não posso deixá-la escapar, mas se eu for atrás dela meu pai morre. Preciso agir rápido.
Reúno minhas forças e começo a empurrar meu pai. Ele oferece resistência tentando seguir seu trajeto, mas consigo jogá-lo em cima da nossa barraca. Ele reluta pra tentar levantar, mas eu consigo prendê-lo com as cordas. Ele nem ao menos tenta desamarra, está só tentando ficar em pé de novo.
Me parece que isso resolveu esse problema e agora eu preciso alcançar a astronauta. Ainda consigo vê-la se afastando por entre as árvores.
Consigo alcançá-la correndo o mais rápido que posso. Já chego acertando com os dois pés na criatura que está nas costas da astronauta. Antes dela eu cair no chão, vejo que a coisa se desprendeu da astronauta. Talvez ainda estivesse viva, mas não vou correr esse risco, pego uma pedra grande na beira da trilha e a esmago.
Ainda ofegante e cansado, volto correndo em direção ao acampamento onde deixei meu pai preso na barraca e espero que ele ainda esteja preso.
Ele esta lá, em pé, parado de costas pra mim. A criatura chegou antes?
_ Pai?! - Falo ainda de longe.
_...
_ Pai, tudo bem aí?
Ele se vira, está chorando e com o envelope na mão.
_ Você encontrou a carta, filho. Eu queria ter mostrad--
_ Tudo bem pai, agora eu entendo o seu silêncio. Não foi sua culpa, mas a gente precisa sair daqui agora.
_ Porque, filho? O que está acontecendo? E essa bagunça aqui no acampamento?
_ Não posso explicar agora. Só confie em mim.
Pego uma camiseta e uma bermuda para vestir a astronauta e a levarmos embora daqui.
A moça ainda está lá caída na trilha, espero que não esteja morta.
_ Ai meu Deus! - Exclama meu pai ao avistar a astronauta no caminho. - Corre, filho. Tem uma mulher caída ali!
_ Me ajude a vesti-la, pai.
_ O que aconteceu, filho? Por que eu não consigo me lembrar?
_ O senhor se recorda da cápsula espacial que caiu próximo daqui?
_ Lembro… vagamente… O que tem ela? - Meu pai responde se esforçando pra tentar lembrar de alguma coisa.
_ Essa mulher é uma astronauta que estava dentro da cápsula. Aquela coisa esmagada ali debaixo daquela pedra estava presa ao corpo dela.
_ Hahahaha! Do que você está falando?
_ Não sei o que é isso. Só sei que vocês dois começaram a agir muito estranho com essas coisas por perto.
_ Você está assistindo muito filme, filho.
Meu pai realmente não se recorda de nada e parece ter ficado outra sequela, além da amnésia.
Após longos minutos de silêncio enquanto levávamos a astronauta para o posto florestal, resolvo falar sobre a mamãe.
_ Por que ela fez isso, pai?
Ele me olha nos olhos e abaixa a cabeça. Essa é uma conversa que não pode ser adiada mais e ele sabe disso.
_ Sua mãe não estava bem desde que foi demitida do escritório, mas eu achei que fosse apenas uma tristeza temporária.
... ela passou a conversar cada vez menos comigo. Eu me esforcei muito para fazê-la feliz, filho. - Nesse momento ele se desfez em lágrimas, e eu também.
_ O dia em que aconteceu o acidente seria a primeira consulta dela com um psicólogo. Ela nem se deu a chance…
_ Pai, nós vamos superar isso juntos. O senhor fez o que pode, eu via, eu não entendia muito o porquê de o senhor aguentar o mau humor e as grosserias da mamãe. Eu não o culpo, o senhor é o melhor pai que eu poderia ter.
Uma carícia no braço um do outro enquanto segurávamos a astronauta, foi nossa forma de nos abraçarmos naquele momento. O restante do caminho fizemos em silêncio, precisávamos disso.
_Finalmente chegamos! - Constato ofegante e aliviado.
_GUARDA KELSON! - O grito do meu pai fez alguns pássaros de uma árvore próxima, voarem para longe assustados. O guarda surge assustado à porta.
_ Nos ajude aqui!
Ele vem correndo em nossa direção.
_ Quem é ela? Onde vocês a encontraram?
E nesse momento eu entendi que haviam dois sobreviventes naquela cápsula.

