Quando te confessei um dos meus grandes medos, você riu:
"É só água", você me disse. "É só chuva."
"Não!" respondi. "Da chuva eu gosto. Eu tenho medo é de tempestades. Tenho medo de tudo que você não sabe quando vai chegar ao fim. Tenho medo do que destrói. Chuva é calmaria."
Você pegou minha mão e disse que gostava da destruição e de tudo o que ela causava.
"Não se pode reinventar algo que já está inteiro. Pra reinventar, tem que antes destruir."
"E se não for possível reinventar?", questionei.
"Tudo é possível com o tempo... E por falar em tempo, olha como ele está! Vem, vamos lá fora, você adora banho de chuva."
"Ficou maluco? Está caindo o mundo!"
"Bom, então vem comigo, vamos tomar banho de mundo."
E ali, diante dos olhos que sorriam, penetrando a parte mais profunda da minha alma, eu peguei sua mão e fui. Percebi que com você, tempestades também se tornaram calmaria.
Ou eu que também passei a gostar da destruição.
Tudo é possível com o tempo...

