UM PAR DE ARGOLINHAS PRATEADAS
Comecei com o de sempre: dobrando minhas roupas sujas e colocando-as numa sacola estampada com a logo do mercado da minha cidade. Primeiro minhas cuecas, depois minhas duas camisetas usadas durante todo o fim de semana e, por fim, meu short bege de tiozão. Depois foi a vez dos meus pertences menores: alguns cabos de carregadores para os meus vários objetos eletrônicos, minha carteira extremamente minimalista (que é mais um porta-cartão), alguns remédios e o meu perfume, que enfeitava a prateleira do quarto, numa composição extremamente desordenada de livros, canetas, um mouse rosa claro e um mouse pad estampado de unicórnio com uma almofada para o punho. Por fim, meu tênis verde militar que tem o cadarço já todo desfiado no pé esquerdo (sério, não sei como ainda essa cordinha branca consegue manter os laços que faço toda vez que eu o calço). Tudo milimetricamente ajeitado na minha mochila para que eu tivesse a feliz experiência de viajar no maior conforto disponível. Para a despedida, o nosso comum: beijos curtos sobrepostos a “eu te amo”, “já estou com saudades” e “você casa comigo, se eu pedir de novo?”. E, sim, a resposta a essa pergunta é “caso com você hoje, de madrugada, só nós dois e o padre. Caso com você sempre que me pedir”.
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