Limparei dos meus braços estes cacos
Como um urubu o musgo de suas asas,
E feito chuva poderão estes fragmentos
Cair nos bueiros abertos das ruas
De onde saltam as lágrimas,
As esquecidas lágrimas disformes
De todas as memorias passadas.
E talvez quando não encontrar mais
Entre as minhas penas uma fagulha
Sequer de descontentamento e amargura,
Ensaiarei um salto de peito aberto
Onde me tingirão de azul as tardes
E de vermelho todas as auroras.

