VISÃO
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VISÃO

Limparei dos meus braços estes cacos

Como um urubu o musgo de suas asas,

E feito chuva poderão estes fragmentos

Cair nos bueiros abertos das ruas

De onde saltam as lágrimas,

As esquecidas lágrimas disformes

De todas as memorias passadas.

 

E talvez quando não encontrar mais

Entre as minhas penas uma fagulha

Sequer de descontentamento e amargura,

Ensaiarei um salto de peito aberto

Onde me tingirão de azul as tardes

E de vermelho todas as auroras.