VERSOS PARA VOCÊ II
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VERSOS PARA VOCÊ II

No circuito impreciso de minha existência

Contada, lanço fora por hora esta melancolia

Que me rodeia.

 

Nas águas transparentes do tempo

Se arrepiam os pelos da memória,

Tão doce voz e cortejo que se crava

Agora nesta linha inorgânica.

 

Dos beijos o teu o mais doce,

Dos lábios, és o teu o mais formoso

Que acaricio nas sombras da amargura,

Pois ao partir foi-se contigo a luz,

 

E em trevas tateio estes versos na esperança

De encontrar-te novamente,

Mas esta esperança de mim fora roubada

De forma tal que nem os ventos mais fortes

De uma tempestade irritadiça,

Seriam capazes de fazer emergir neste coração Incrédulo, a expectativa de que retornes um dia

A estes braços, nus de amor e afeto.

 

Que eu morra hoje ou amanhã,

Poderei dizer ainda nos últimos

Instantes de vida que amei feito louco,

Que desfrutei mesmo que pouco,

A forma mais pura de amar.

 

Que beijei a boca insana e encantada

Que em círculos circunspectos

Levara-me do inferno aos céus,

Em noite de lua cheia,

Defronte um lago silencioso

Onde fui pelos peixes invejado,

Que extasiados me assistiram

Com atentos olhos,

Desfrutar da mais remota e aterradora

Fagulha de amor.