No circuito impreciso de minha existência
Contada, lanço fora por hora esta melancolia
Que me rodeia.
Nas águas transparentes do tempo
Se arrepiam os pelos da memória,
Tão doce voz e cortejo que se crava
Agora nesta linha inorgânica.
Dos beijos o teu o mais doce,
Dos lábios, és o teu o mais formoso
Que acaricio nas sombras da amargura,
Pois ao partir foi-se contigo a luz,
E em trevas tateio estes versos na esperança
De encontrar-te novamente,
Mas esta esperança de mim fora roubada
De forma tal que nem os ventos mais fortes
De uma tempestade irritadiça,
Seriam capazes de fazer emergir neste coração Incrédulo, a expectativa de que retornes um dia
A estes braços, nus de amor e afeto.
Que eu morra hoje ou amanhã,
Poderei dizer ainda nos últimos
Instantes de vida que amei feito louco,
Que desfrutei mesmo que pouco,
A forma mais pura de amar.
Que beijei a boca insana e encantada
Que em círculos circunspectos
Levara-me do inferno aos céus,
Em noite de lua cheia,
Defronte um lago silencioso
Onde fui pelos peixes invejado,
Que extasiados me assistiram
Com atentos olhos,
Desfrutar da mais remota e aterradora
Fagulha de amor.

