VAIKUNTHA, O OUTRO MUNDO
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VAIKUNTHA, O OUTRO MUNDO

Ando perto de começar a busca pelo lugar que sei que existe, para onde os poetas também vão e de onde ninguém quer voltar.

Um lugar onde o ouro não tem serventia e o que conta mesmo é o brilho da alma. Um lugar onde a fala é sempre preterida pelo mistério do sorriso.

Um lugar onde tudo foi criado para satisfazer os desejos da alma. Um lugar onde a aura é o maior indicador do status.

Um lugar onde diuturnamente se receberá uma porção de amor e se pagará com duas porções de amizade.

Um lugar sem títulos nem rótulos, onde a história de cada um começa e termina com o dia e o futuro só vai até antes do jantar. Depois disso o vinho, a brisa e o cheiro da noite impedem que o tempo se mova.

Um lugar onde o nome dos mais antigos não seja dito ou conhecido, onde os antepassados estão, definitivamente sepultados.

Um lugar onde não se esconde nada e nada é preciso mostrar. Um lugar onde o anonimato é, reconhecidamente, a maior qualidade.

Um lugar onde não se é preciso dar provas de nada. Onde existir é exercitar o gozo e a aprovação.

Um lugar onde a memória nunca é incomodada pelo indesejável. Onde todas as lembranças são seletivamente boas. Onde os lamentos são públicos e publicamente consolados. Um lugar onde Deus está sempre disponível e de ouvidos abertos.

Um lugar de paredes grossas e janelas fortes por onde os pesadelos não passam. Um lugar onde acordar de madrugada é só pra escolher um novo sonho.

Um lugar onde a velhice é o objetivo, a inveja e a ambição dos dos jovens. Um lugar onde se morre apenas para optar pela ressurreição ou a eternidade.

Um lugar onde se pode ser escravo de amores vadios e variados. Um lugar de muitos lagares. Sempre cheios de vinho e amigos.

Um lugar de onde se possa sair, se quiser, ou ficar, se não estiver preso a nada!