De onde vem a luz que lhe atravessa
De qual distante Sol ela emana?
É tão forte esse brilho, que me engana
e eu quase posso vê-la dentro, avessa.
Vejo sua graça em movimento,
sou menino espiando na janela
decorando cada parte do momento
Pra mais tarde me inspirar, a luz de vela.
Vem a vida cruel e me sacode
aludindo ao dever e ao compromisso.
Misturando meu prazer a tudo isso,
vou dosando o que retrai e o que explode.
Pr‘além de todo compromisso e toda pressa
existe um oásis de água e sombra
onde a vida se refresca e o dia tomba
Onde dois braços estancam a minha pressa.
E a luz de que falei, antes, no verso?
Está mais forte e ainda me encandeia.
Mas, se seus braços fogosos me incendeiam
Eu me perco no tema, me disperso.
