DISPERSO
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DISPERSO

De onde vem a luz que lhe atravessa

De qual distante Sol ela emana?

É tão forte esse brilho, que me engana

e eu quase posso vê-la dentro, avessa.

 

Vejo sua graça em movimento,

sou menino espiando na janela

decorando cada parte do momento

Pra mais tarde me inspirar, a luz de vela.

 

Vem a vida cruel e me sacode

aludindo ao dever e ao compromisso.

Misturando meu prazer a tudo isso,

vou dosando o que retrai e o que explode.

 

Pr‘além de todo compromisso e toda pressa

existe um oásis de água e sombra

onde a vida se refresca e o dia tomba

Onde dois braços estancam a minha pressa.

 

E a luz de que falei, antes, no verso?

Está mais forte e ainda me encandeia.

Mas, se seus braços fogosos me incendeiam

Eu me perco no tema, me disperso.