GARIMPEIRO
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GARIMPEIRO

Ando catando, pela casa, as sobras!

Resto de mel no pote,

sobras de pão no cesto,

cascas de laranja na pia.

Encontro pétalas secas

De amor jurado

que ontem eram flor.

Copos vazios,

de vinhos e de bocas.

Ando catando retalhos de palavras

ainda ecoando no espelho da cama,

nas quinas das paredes

e trêmulas, viçando, presas nas cortinas.

Ando garimpeiro.

Do Cheiro de amor no lençol,

da baba no travesseiro,

dos pelos cúmplices no edredom Azul.

Ando catando pedaços de você

espalhados pela casa

pela minha roupa

pelos meus anseios

cavalgando meus desejos

impregnados na minha alma

Que habitam em mim.

Que eu nunca pedi pra ficar.

Que eu nunca pedi pra sair.