Dentro de nossa concha,
Na íris crua dos seus olhos, encontrava abrigo. Na estrada deserta de seu corpo,
De sua boca ouvia as mais
Aprazíveis juras de amor.
No seu sexo, viajava para as terras
Mais longínquas, lugar em que
Minha tristeza não podia habitar.
Mas, um dia, você partiu,
E quando partiu, fiquei aqui, a esmo. Meu coração não te esqueceu,
Meu coração nunca te esquecerá.
Tarde se faz agora,
Perdi-me em meu próprio caos, Tranquei a porta para que ele não saísse
E temo nunca mais poder abri-la novamente.
Mas, uma coisa a você prometo, ainda,
Que no dia do final juízo, quando estivermos
Na fila em que os anjos decidem quem
Sobe e quem desce,
Antes de ser atirado para o inferno, Com lágrimas de sangue,
Selarei pela última vez nossos lábios, Tamanha será a força com que
Os anjos lamentarão pela minha alma.
Dar-te-ei adeus com a fúria de mil ventos, Para que possas ainda ouvir minha voz
Pelos próximos cinco séculos,
E depois de vê-lo cruzando
Os portões celestiais,
Só então, só então entregarei
Meu espírito à escuridão.

