TRISTE CANTO
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TRISTE CANTO

De espiar tão triste canto

Surge em mim tamanho espanto,

Um mar azul se transformando

Em um monstro vil gritando

 

—Ai de mim pobre infeliz

Que as dores vou levando

Cubro-me inteiro de asperezas

Pelos vastos desencantos.

 

Já agora em terra firme

Ouço passos ajustados

Seria ela a dona morte

Já calçando os meus calçados?

 

— Por favor me diga agora,

Se for tu não vais embora

Já me foi roubada as horas

E de agonia Minh’alma chora.

 

Este corpo vil implora

Já cansado desmorona

Ouçam me todas as peçonhas

Sua hora é agora!

 

Sondem-me astutas pela noite

Em uma tacada, como açoite

Desçam pela minha goela

 

Se misturem com meu sangue

que as espera...