De espiar tão triste canto
Surge em mim tamanho espanto,
Um mar azul se transformando
Em um monstro vil gritando
—Ai de mim pobre infeliz
Que as dores vou levando
Cubro-me inteiro de asperezas
Pelos vastos desencantos.
Já agora em terra firme
Ouço passos ajustados
Seria ela a dona morte
Já calçando os meus calçados?
— Por favor me diga agora,
Se for tu não vais embora
Já me foi roubada as horas
E de agonia Minh’alma chora.
Este corpo vil implora
Já cansado desmorona
Ouçam me todas as peçonhas
Sua hora é agora!
Sondem-me astutas pela noite
Em uma tacada, como açoite
Desçam pela minha goela
Se misturem com meu sangue
que as espera...

