Lá estávamos nós, em uma manhã qualquer dos anos 70, pegando um bronze como Glauber Rocha em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.
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Apesar do clima sereno e da Brahma Chopp gelada, as conversas seguiam acaloradas, discutíamos sobre a truculência dos milicos então liderados pelo Ernesto Geiser, da influência da guitarra elétrica sobre o disco dos Novos Baianos, e da mais quente novidade: A implantação de um tal Polo Petroquímico na pacata e monótona Camaçari-BA.
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A conversa fluía em ritmo cadenciado, os novos ares do progresso e da tecnologia contagiavam os jovencitos, as especulações eram das mais variadas;
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- É, pelo visto nossos netos vão brincar com bicicletas voadoras;
- Também acho!! Com tantas vacinas, vamos chegar aos 100 anos fácil, fácil..
- Imagina os bisnetos em 2021? - Oxi, vão passear pelas galáxias, tipo aquele filme lá.. é é... Star Wars..
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Pois bem, essa “gente bronzeada” não sabia que a história não é tão evolutiva assim, a tendência darwiniana não deu muito certo em nossos trópicos. Chegamos a década de 20 dos anos 2000, e o cenário atual mais se parece com o loop de um filme do Bong Joon-Ho.
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... o tempo passou, e o Brasil arcaico se pintou com as cores da modernidade. Mas os milicos de ontem ainda são os de hoje, de Geiser a Mourão, e aqui jaz os clãs de José Tude e Humberto Ellery.
Mas desta vez será diferente, pois, os pretos passarinho, mas os fascistas, não passarão!!
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“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.
- Luis Henrique Cabral

