O que é o louco, senão mais livre?
Aquele que se desprende das amarras da sociedade,
vive sem o constante medo de errar,
tendo como único propósito a busca pela verdade.
Julgam os mais livres aqueles que nunca provaram
o gosto de viver sem temer o olhar,
debocham, lançam risos, envergonhados da própria inveja,
pois odeiam a realidade que não conseguem negar.
Enquanto os receosos, sustentando o medo de viver,
permanecem dentro da caixa do padrão,
seguem caminhos que jamais escolheram,
até confundirem suas próprias grades com proteção.
Cobertos pelo véu da incerteza,
são impedidos de enxergar o que há além,
veem somente aquilo que lhes é mostrado,
tomando por verdade o que lhes convém.
Nesse cenário, o enredo é um reflexo
desse mundo tão difícil de conviver,
enquanto o louco encontra beleza
justamente onde ninguém consegue ver.
O livre se liberta,
não se deixa prender pelas regras do sistema,
vive cada momento como se fosse único,
e transforma a própria existência em poema.
E se louco é aquele que escolhe viver,
que seja — não há vergonha em assim caminhar.
Pois talvez a verdadeira loucura
seja ter medo demais para tentar.
Como essa que vos escreve este poema,
que também escolheu não permanecer onde deveria estar:
entre as amarras do que esperam que eu seja
e a liberdade de simplesmente me libertar.

