Descobri que a ausência tem muitas formas.
Às vezes, ela aparece quando acordo e, por um breve instante, esqueço que você não está mais comigo.
Às vezes, surge quando vejo alguma coisa engraçada e meu primeiro impulso é mandar para você.
Outras vezes, ela se manifesta da maneira mais cruel: quando seu nome aparece na tela do meu celular, não porque você tenha me procurado, mas porque alguém publicou uma fotografia na qual você está sorrindo.
E você está feliz.
Essa é a parte que eu nunca soube como explicar.
Eu deveria ficar feliz por você. Deveria desejar que encontrasse alguém que soubesse cuidar de cada detalhe que eu negligenciei. Alguém que escutasse suas histórias, percebesse suas tristezas e não precisasse perder você para compreender o seu valor.
E uma parte de mim deseja tudo isso.
Mas existe outra parte, egoísta e vergonhosa, que se desfaz ao imaginar que esse alguém pode fazer por você tudo aquilo que eu tive a oportunidade de fazer e não fiz.
É doloroso perceber que outra pessoa pode estar vivendo os sonhos que um dia construímos juntos.
A praia.
As estrelas.
Os domingos preguiçosos.
O sorriso que eu acreditava conhecer melhor do que qualquer outra pessoa.
Às vezes, olho para as suas fotografias e me pergunto se você ainda se lembra de nós. Se alguma música faz você voltar àquela época. Se, em algum momento, você também sente falta daquilo que fomos.
Depois me repreendo.
Não tenho o direito de exigir que você preserve as minhas lembranças quando passei tanto tempo tratando o nosso presente como se fosse indestrutível.
Talvez você tenha chorado por mim até não conseguir mais.
Talvez tenha esperado uma mensagem que nunca chegou.
Talvez tenha passado noites tentando entender por que alguém que dizia amar tanto podia fazer tão pouco para demonstrar isso.
Eu não sei.
E talvez nunca saiba.
Essa é uma das consequências de perder alguém: chega um momento em que a vida dessa pessoa continua acontecendo, mas você deixa de ter o privilégio de conhecê-la.
Você passa a ser apenas um nome antigo, uma fotografia esquecida, uma lembrança que aparece sem avisar.
Alguém que um dia soube tudo.
E que agora não sabe mais nada.
