I
Talvez em devaneio sonhasse quando o vi
Nas luzes brandas de um luar sumindo,
Passos sobre passos aos poucos vieram vindo
Quando eu, de longe, vi que era o amor ali cantando.
No tremelicar de estrelas mudas
Pude contemplar cortejos de tão bela face,
Em que um lampejo forte de vivaz ternura
Mais vivo que nunca, agora, me deixaste.
Quem diria pois que eu encontraria,
Nos azulejos brancos, antes apagados,
Um nome sobre outros tantos nomes
Que em minha mente terra,
Tornar-se-ia ramo, enraizado.
Me espanto pelo espanto,
No vale de todos os ouros quistos,
Descobrir que em meio a tantos,
Existem ainda bons imprevistos,
Onde mora o único acalentador
Dos meus lobos jamais vistos.
II
Verde como toda grama
Me inflamam as ideias
Onde todas as artérias,
Junto as células teu nome canta.
Vede agora nas novelas,
Como choram as belas damas,
Em nada se difere de minhas células,
Que agora deletérias,
Choram gotas de montanhas.
Como um rio que sempre as ondas muda,
Rápido, pelo corpo arrasta,
Tristeza minha de vida curta,
Que sempre com teu passo passa.
Ah se as flores todas me ouvissem,
Enquanto teu nome conto junto as pétalas,
Veriam quanto amor guardado, tenho ainda,
Amor de toda uma primavera!
Este amor antes semente se tornou uma linda
Árvore, que de tão grande o céu invade,
E nela, corajoso, subo ainda.
Olhem, quão fortes são esses cipós!
Cintilam as dores dos remidos,
Que ao chegar em seu mais alto ponto
Consigo ouvir ainda gritos:
— CORRA!... vamos mais depressa anda,
Abraçar o abraço amado, que de tanto ali
Aguardado, mais que nunca o encanta!

