Estante de madeira, minha estante.
De onde tiras o gozo de permanecer
Com estes braços estendidos, mesmo
Ainda tão esquecida e empoeirada?
Como são belas as tuas formas,
Guardas como em um casulo a
Sabedoria pulsante dos livros
Ah, minha estante,
Queria que por um instante me ouvisses,
Como queria extrair de ti a amiga, o consolo
Para as minhas melancolias das madrugadas,
Para que não fostes apenas uma estante empoeirada,
Ali, atrás da minha cama.

