Arranco de minha carne esta dor
E ponho-a em um saco revestido de orgulho.
Limpo de minhas vestes todo este amargor,
Que se torna intrínseco confidente deste embrulho.
Ah Amadeu, que de grinaldas e madrepérolas te fiz,
A tudo rejeitastes de antemão, tamanha deterioração,
Que me fizera de bom homem, homem infeliz. Rendido, a ermo, eu e meu coração.
Inda hoje irei eu ter com a morte no cemitério,
Pois tenho vivo e ardente um único critério,
Procurar na alcova escura minha redenção.
Meu corpo se unirá a tantos outros, já fétidos.
De cimento, terra e vermes, ocluídos.
Alcançando minha alma, enfim, sua ascensão.

