Ainda era verão. As nuvens branquinhas e bem dispersas, o céu azul e bem calmo.
Eu ainda tinha sonhos e medos, bem distantes, mas presentes.
Subi ao pé daquele parapeito, e de leve, com milhões de pensamentos e devaneios. Dúvidas, sobre a vida, minha carreira como jornalista, meus encontros de sábado a noite. Ao qual eu tinha três nos sábados seguintes.
E, sobre aquele parapeito, estreito e desnivelado, senti verdade naquela frase "a vida passa diante dos meus olhos", tão vívida e presente.
Lembrei das doses de café, na doce padaria entre a Alameda Santos e o parque Nacional, onde cumprira minhas liberdades de apreciação, seja de um doce sonho ou um delicioso croissant.
Me lembro de uma noite, quando estava a voltar da redação, um vento tenebroso de inverno, me carregou ruas abaixo, quando menos percebi parei de frente com essa padaria. Doces lembranças, não é mesmo.
Acho que você se pergunta, por quê, uma jovem dama, cujo a vida parecia perfeita e repleta de experiências ricas e valiosas, se encontra neste instante fitando sorrateiramente as luzes e pessoas em forma de formiguinha lá embaixo, pensando em partir daquele plano, seja lá para onde você acreditar que eu possa ir.
É difícil, mas minha mente está a parecer com uma escada, bem gasta e cansada de tanta subidas e descidas, de pessoas insignificantes e que ao mesmo tempo, tiveram uma certa importância. Cansada. É de fato a definição certa.
Não fique chocado, nem espantado, está tudo bem... nem tudo são flores e muito menos calmantes conversas ao pôr do sol.
Me sinto livre e mesmo, que cansada, estou pronta, para encerrar mais essa fase, mais esse ciclo da minha vida.
Este parapeito, será meu fim e meu recomeço, eu sei.
Confesso estar ansiosa para isso, entusiasmada, puxa que adrenalina...
Inclino-me discretamente e a cada impulso para frente, me enxergo plena e em paz.
Conte até 3 e tenha uma boa vida.
1, 2, 3 e...

