E quando me olho no espelho não reconheço o rosto que me encara de volta.
Quantas versões tenho?
O quanto isso faz de mim uma farsa?
Dizem que temos três faces diferentes que usamos no dia a dia.
A que mostramos a todos, a mais 'básica e neutra'. Feita especialmente para a socialização e aceitação.
A que mostramos somente a quem é próximo de nós e confiamos. Aquela que é um pouco menos sem filtro e amarras.
E tem também a verdadeira. Aquela que nos encara de volta no espelho quando estamos sozinhos e livres de olhares e julgamentos.
Aquela que escondemos a todo custo de tudo e todos. A que nos deixa despida de todos os valores, opiniões e farsas.
Somente você e seu âmago.
Somente você e todos esses sentimentos intrínsecos, amargos e confusos que é você.
E você se quebra.
Os sentimentos te rasgam o peito, dilacera e te faz sentir um nada.
Uma farsa em meio a tantas faces para lidar consigo e com o mundo.
E então a gente se concerta.
Caco por caco.
Dia após dia.
E buscamos momentos em que os pedaços que tanto vivemos colando aguente firme por um tempo maior.
Para começar tudo de novo.

