Oh meu amor, seu eu não mais vivesse
Se meu coração se recusasse a bater
A cada instante, se eu morresse.
Levaria comigo todo este tédio,
Este amargor, esta angústia que me
Persegue e me consome.
Levaria este pesar.
Em meu túmulo haveria um coro triste
E choroso, talvez com rosas, talvez com seu
Nome, talvez sem nada.
Nada disso.
Mais provável o silêncio,
Este tão escamoso silêncio que me acompanha
Mesmo ainda em vida.
Estou novamente a vagar sozinho, a esmo,
Pelas ruas fúnebres de nossa cidade.
Daqui posso ouvir a valsa das águas do
Lago que outrora admirávamos, juntos.
Ouço também o canto dos pássaros,
Os mesmos que louvaram o nosso amor,
E eles estão mais tristes hoje.
Sento-me no banco, e só,
Aprecio este luar que me banha.

