No inimaginável vejo teus olhos
Chamando os meus,
Como se de sabias rotas fossem
Feitas tuas mãos.
Ah meu amor como soam dançantes
Nossos corpos ao redor da lua,
Como me enche de receio a falta sua!
Ceticismo constante que me perturba
Ao pensar na vida sem a vida,
No dia em que a noite ser eterna,
Quando eu acordar deste sono profundo
Quero que estejas comigo, meu amor.
Porque me arde o peito nos sussurros
De uns indizíveis, procurar-te na solidão
De toda uma eternidade,
De correr a esmo em campos abertos
Calejados de saudade.
Ah meu amor, nesses momentos me faço
Crente para carregar pra sempre em mim
O teu afago singelo, a tua voz e o teu colo
Comigo, meu amigo.
E comparo-te ainda as incessantes águas,
Mães das aves desnudas de julgamento
Que lhes alimentam com os peixes,
E que não os deixando desamparados
A eles também da de alimento
Assim és o meu amor por ti
E o teu por mim, algo de modo eterno.
Pois ao amar-te amei também a vida
Nesta terra que se encontra fatigada
De lidas, encontrei no teu peito meu
Amparo.

