AMARTE
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AMARTE

No inimaginável vejo teus olhos

Chamando os meus,

Como se de sabias rotas fossem

Feitas tuas mãos.

Ah meu amor como soam dançantes

Nossos corpos ao redor da lua,

Como me enche de receio a falta sua!

 

Ceticismo constante que me perturba

Ao pensar na vida sem a vida,

No dia em que a noite ser eterna,

Quando eu acordar deste sono profundo

Quero que estejas comigo, meu amor.

 

Porque me arde o peito nos sussurros

De uns indizíveis, procurar-te na solidão

De toda uma eternidade,

De correr a esmo em campos abertos

Calejados de saudade.

 

Ah meu amor, nesses momentos me faço

Crente para carregar pra sempre em mim

O teu afago singelo, a tua voz e o teu colo

Comigo, meu amigo.

 

E comparo-te ainda as incessantes águas,

Mães das aves desnudas de julgamento

Que lhes alimentam com os peixes,

E que não os deixando desamparados

A eles também da de alimento

Assim és o meu amor por ti

E o teu por mim, algo de modo eterno.

 

Pois ao amar-te amei também a vida

Nesta terra que se encontra fatigada

De lidas, encontrei no teu peito meu

Amparo.