a indiferença, quando materializada, é como dádiva aos que exalam um senso de percepção aguçado - que muita das vezes, torna-se insuportável. a atribuição excessiva de sentimentos ao que percebemos e trazemos do mundo, formando nossa realidade, é um ato cruel àqueles que muito sentem e muito percebem. o ato de tornar-se indiferente, é um ato contundente em um mundo onde ninguém liga para ninguém, mas todos querem ser excessivamente percebidos: uma conjuntura narcísica, melhor dizendo. um superorganismo que foge ao antro da botânica e se entrelaça nas profundezas dos problemas imateriais: formando um inconsciente coletivo e ativo, que toca a todos e move a sub realidade social: aquela que mais importa. meursaultilizar o ato de viver, é ser contundente com os aspectos naturais do mundo - que hoje só são percebidos por lentes de câmeras -, é viver o presente no arco temporal de presente/futuro, não nas capturas de momento que em uma sub realidade ficaram. o ato de meursaultilizar - se, te tornas eternamente responsável por ser um estrangeiro no mundo belo em que todos habitam, mas só você contempla.

