TERÇA FEIRA NO ÔNIBUS
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TERÇA FEIRA NO ÔNIBUS

Entrei, todas as janelas fechadas, tive a sorte de sentar no único lugar em que as janelas de emergência não poderiam ser abertas. Um casal de idosos entrou discutindo no ônibus. O marido estava bêbado, a esposa estava brava. De repente todo o ambiente baforava álcool. Pelo que ouvi, ela havia perdido o dia de trabalho para ir buscá-lo no bar. Ela o ameaçou: o colocaria em um asilo,ele a ameaçou de fazer o mesmo. Ao passo que ele abria a boca para se justificar os outros passageiros ficavam meio ébrios. A situação era no mínimo cômica, mas embaraçosa para todos. Eu só queria descer sair dali e me esquecer do bêbado metido a dono da verdade e de sua esposa que resignava uma vida de sofrimento matrimonial. Eram uma figura típica de casal que vive em pé de guerra, mas talvez por comodidade ou por um amor gasto porém resistente jamais se deixavam. Fiquei tão absorta na situação que nem notei o caminho. Meu ponto chegou e eu pude abandonar aquela novela de início de tarde enquanto o ônibus seguia com uma atmosfera de teor alcoólico que excedia os limites permitidos. Agora quando penso na situação, não posso evitar certo saudosismo poético. Queria saber que foi feito daquele casal disfuncional e se afinal alguém acabou em um asilo.