5 anos de trabalho, 839 relatórios entregues, 1053 ligações atendidas, incontáveis noites mal dormidas.
Apesar desses números impressionantes comprovando sua dedicação; naquela manhã de quinta feira, Tessa perdeu o emprego.
Não havia razão especial para isso, era apenas um "corte nos gastos" como lhe disseram. Ela quis rir. Depois de tudo o que havia dedicado àquela companhia eles simplesmente a cortaram, como as pontas ressecadas e inconvenientes do cabelo das quais sempre queremos nos livrar.
Ela não era o tipo de pessoa que cria laços, mas lhe doía admitir que sentiria falta dos colegas, até mesmo do homem pertinente que sempre a convidava para sair. Não se lembrava do nome dele agora, mas tinha certeza de que começava com "D".
Sem alarde, Tessa se despediu de todos e tomou o caminho de volta para casa. Enquanto dirigia sentiu os olhos embaçarem, as bochechas formingando. O que era aquilo? Choro? De maneira alguma ela se permitiria chorar por algo tão trivial como uma demissão. "Isso não é motivo para lágrimas" - pensou.
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