sou o futuro
e o passado
se encontrando em contas
contos
cores e traços
sou palavra
rasgo diaspórico
que crava os dentes
na branquitude
que se inventou
e tentou esbranquiçar minhas raizes
e fracassou na missão
não raleou meu sangue
nem expulsou meus orixás
sou o futuro que se apresenta
em onomatopéias e rugidos
sou o passado que se perpetua
em rezas e atabaques
sou poesia afrofuturista
que se reinventa enquilombada
numa cidade cinza
amarela e preta
de aço concreto e rio
sou filho da mistura
sou vira lata e rei
sou poeta
do raiar do dia
ao poente
para que numa noite reluzente
a chama do auto forno brilhe
e derrame seu vermelho
por toda gente
e queime
pra que eu voe
feito fênix

