UM SOM DE MATA
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UM SOM DE MATA

eu ouvi um som de mata

cantar dentro de mim

voando em asas amarelas e pretas arigós

que cortam o ar do presente

tão sombrio que superamos

eu ouvi barulho de ondas

que rebentam forte

no meu poema resistência

esparramando espuma benfazeja

e beijos carinhosos de Yemanjá

uma multidão de guerreiras

caboclos curandeiros

e pretas e pretos velhos

em cortejo

nos trazem vitória

cura

benjoim alfazema e mirra

e as coroas de todas as gerações

para coroar nossos filhos e filhas

dos teclados e telas

verdades brotaram em ciência

poesia e cores

transmitidas

eu ouvi um som de tambores

corações pretos enamorados

minha humanidade

entrelaçada na sua

e toda Humanidade

entrelaçada com poesia