SEM MAIS
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SEM MAIS

"E foi assim que eu a vi, quando o ônibus em que eu estava parou do lado do dela.

Sua cabeça estava encostada na janela, fone nos ouvidos, olhos fechados. Parecia uma obra de arte envolta naquele cabelo incrivelmente crespo.

"Será que ela sabe que é linda?" pensei. Minha mão suava enquanto eu tentava me equilibrar entre tantos passageiros, homens e mulheres, buscando um jeito de acalmar meu coração inquieto.

O sinal abriu e lá fomos nós, cada qual para um lado, para o seu destino.

Será que ela dormia ou apenas sonhava com a letra de uma bela canção em seus ouvidos? Será que ela é do tipo calma e suave ou é briguenta e teimosa?

Não sei. Nunca mais a vi, nem no ônibus nem em lugar algum. Será que ela não passou de uma ilusão da minha mente cansada? Será... Será...

Só sei que foi a paixão mais avassaladora que eu já tive.

Uma desconhecida no ônibus me fez querer mudar de rota, mas a vida é cruel. Demorou pouco para perdê-la de vista e perceber que a vida, como o ônibus, tinha que seguir em frente."