QUARTA DE CINZAS
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QUARTA DE CINZAS

É quarta, meio da semana.

Ponto médio, a esperança deveria aflorar pelo refrigério de mais um final de semana.

 

O corpo se levantou, mas autoestima ainda se encontra nas fossas abissais.

O corpo se banhou mas lá no fundo sente o ranço de uma noite mal dormida.

 

O sono não restituiu as forças.

A comida não traz sabor a boca.

A incompletude é dominante.

Não sou mais eu, e sim esse meu outro eu, muito mais fúnebre, que prossegue e toca a vida sem vida.