PUTA QUE PARIU, QUE CANSAÇO DE VIVER ASSIM!

PUTA QUE PARIU, QUE CANSAÇO DE VIVER ASSIM!

Meu Deus do céu, me escuta, cara!

Venho todos os dias para “trabalhar” e não tenho nada para fazer. Exatamente nada! Isso está me provocando crises de ansiedade. Estou ficando deprimida… Me ajuda, por favor!

Eu tinha uma entrevista ontem, mas foi desmarcada. Do nada! E lá vou eu, mais uma vez, encher-me de esperança de que finalmente vou conseguir sair desse lugar que ocupo e que, até hoje, parece ser o máximo que consegui alcançar na minha vida profissional.

Não saio do pleno, embora seja sênior. Estou de saco cheio de empresas que se aproveitam da minha capacidade, mas me rebaixam profissionalmente porque é assim que funciona: ou você aceita ser pleno e receber como tal, ou não trabalha. E eu estou cansada dessa merda!

Estou desgostosa da vida, sem alegria, exausta de tudo, de saco cheio dessa desgraça toda.

Estou a fim de gritar todos os palavrões possíveis, xingar você, Deus, o mundo, a vida, todo mundo, para ver se alguém finalmente me enxerga! Porque está cada dia mais complicado gostar de viver.

A verdade é que nunca achei muita graça na vida. Sempre a achei injusta, desigual. Não entendo esse tal de livre-arbítrio, o bem e o mal, o ser ou não ser. Vai tudo para a puta que pariu!

O mundo, a vida, tudo isso é uma desgraça! E eu só continuo aqui por causa da minha família, que não merece sofrer porque eu resolvi vazar.

É difícil, e acho pesado confessar — ou, melhor dizendo, reconhecer — que tenho pensamentos suicidas. Não quero agir sobre eles, mas eles existem. E não é porque encontrei um grande sentido na vida, não. É porque amo absurdamente a minha família e não suportaria deixá-los com essa dor. Eles gostam da vida, gostam de vivê-la.

Eu, porém, não.

E tenho que conviver com esse fardo de viver todos os dias, aceitando essa merda de vida, essa angústia que carrego, essa sensação de não ocupar o lugar que gostaria de ocupar neste mundo.

Sim, eu sei que a vida pode ser maravilhosa aos olhos de quem vive na extrema miséria, na dor, na enfermidade, na fome, na guerra, na tortura, no estupro, na violência. De quem é miserável na integridade da palavra. Eu sei que existem sofrimentos inimagináveis.

Mas será que reconhecer a dor do outro me obriga a silenciar a minha?

Será que preciso estar morrendo de fome, sofrendo uma guerra ou enfrentando uma doença terrível para ter o direito de dizer que não estou bem?

Eu não estou satisfeita com a vida. Acho injusto que uma minoria tenha tanto poder por causa do dinheiro e possa decidir os rumos da vida de tanta gente, enquanto eu não posso fazer muita coisa além de seguir as regras que eles impõem.

E chamam isso de ordem!

Para mim, muitas vezes, parece uma grande desordem. Um caos disfarçado de normalidade.

Aí eu me pergunto: por que uns têm tanto e outros não têm nada? Por que a vida é tão fácil para alguns e, para uma grande maioria, é essa merda toda ou coisa ainda pior?

Estou cansada de ter que provar, a todo instante, que mereço, que preciso, que sou capaz, que sou uma pessoa digna de receber uma oportunidade. Cansada de precisar demonstrar que sou um ser humano bom para que alguém considere que vale a pena me ajudar.

E tem outra coisa: o medo.

O medo de reclamar, de questionar, de esbravejar, de xingar e de perder até o pouco que tenho. Como se, ao abrir a boca para dizer que estou insatisfeita, eu corresse o risco de ter retirado de mim aquilo que conquistei com tanto esforço.

Por quê?

Por que isso acontece o tempo todo? Não é você, Deus?

Eu estou na merda, consigo sair, respiro um pouco, começo a acreditar que as coisas podem melhorar e, quando finalmente parece que vou conseguir alguma coisa, vem a vida e me joga nessa porra de lugar de novo.

É para eu aprender o quê?

Aprender a não reclamar? A não questionar? A aceitar calada? Aprender porra nenhuma!

Como se eu fosse uma pessoa má, ruim, que não ajuda ninguém, que não se preocupa com o outro, que não faz a sua parte.

Vai se foder! Vai tomar no centro do olho do seu cu!

É isso que eu estou querendo gritar. É essa a revolta que está entalada dentro de mim.

Eu não peço muito. Exijo pouco. E faço muito para conseguir o pouco que tenho.

Para a puta que pariu!

Tenho ódio dessa porra toda, dessa vida filha da puta que parece me testar o tempo inteiro.

DESGRAÇAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

VAI À MERDA!

E o pior é que escrevo tudo isso com medo. Medo de reclamar e as coisas piorarem. Medo de falar, de questionar, de demonstrar minha insatisfação e de perder até aquilo que tenho. Como se eu precisasse agradecer eternamente por cada migalha, sem jamais poder dizer que estou cansada de viver assim.

Estou farta!

E, para completar, ainda temos esses políticos de merda, esses grandes filhos da puta, junto com toda a corja de endinheirados que roubam, matam, prejudicam, exploram e provocam sofrimento. Gente que contribui para tantas desgraças no mundo.

E o que acontece com eles?

Viraram presidentes, comandam nações, acumulam poder, vivem cercados de privilégios!

E nós, que tentamos fazer as coisas direito, que seguimos regras, que trabalhamos, que ajudamos, que nos preocupamos com os outros, que tentamos ser pessoas decentes, ficamos aqui tentando sobreviver à porra toda.

Então, de que serve ser bom? De que serve seguir as regras? De que serve ajudar? De que serve ser proativa, trabalhar duro, tentar ser feliz, tentar ser alguém na vida, fazer tudo o que dizem que devemos fazer?

Para ver essa merda acontecer?

Estou cansada.

A vida é um peso para mim.

Um dia, assisti a um filme em que um garoto dizia ao pai: “A vida é um fardo, é um peso para mim”.

E é exatamente assim que me sinto.

Você, Deus, sabe quem eu sou. Sabe o que passei e o que ainda passo. Sabe o quanto já precisei me levantar, quantas vezes precisei correr atrás, quantas vezes tive que engolir o choro e continuar.

E, apesar de tudo, continuo sendo um ser humano digno, de moral, de caráter. Continuo tentando fazer o certo, tentando não prejudicar ninguém, tentando ser justa, tentando dar conta da vida.

E aqui estou eu, esquecida, jogada num talvez:

“Mais tarde, vejo o que consigo fazer.”

“É assim mesmo, minha filha.”

“É assim que você vai viver.”

“Nada de novo, nada de bom está garantido para você. Vá aguardando.”

“E olha que você está reclamando de barriga cheia, hein? Você é privilegiada. Então aguenta as pontas, porque é isso mesmo.”

É isso?

É para aceitar e pronto?

É para olhar para quem sofre mais do que eu e concluir que não tenho direito de sofrer?

Que desânimo! Que vontade de largar tudo, sair sem destino, desaparecer dessa rotina e parar de esperar alguma coisa da vida.

Não quero acabar com a minha vida. Mas estou cansada de ter que encontrar motivos para continuar gostando dela.

Talvez eu só queira parar de esperar. Parar de criar expectativas. Parar de acreditar que, desta vez, vai ser diferente.

Talvez eu queira simplesmente aceitar que a vida é essa merda mesmo e que não preciso mais ficar me decepcionando a cada nova tentativa.

Mas eu não sei onde enfiar essa angústia!

Não sei onde colocar essa porra de insatisfação que parece não ter fim.

E olha que eu não fico sentada esperando alguma coisa cair do céu, não!

Eu corro atrás. Corro atrás desde que me entendo por gente. Minha mãe, coitada, nos ensinou a sair feito umas loucas atrás de qualquer migalha de oportunidade, porque não dava para ficar esperando a felicidade bater à nossa porta.

E foi isso que eu fiz e faço. Corro atrás. Tento. Trabalho. Insisti. Recomeço.

Quantas vezes mais eu tenho que fazer isso?

Até quando preciso provar que sou capaz? Até quando tenho que aceitar menos do que acredito merecer? Até quando vou precisar engolir a frustração e fingir que está tudo bem?

PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUU!

É isso?

É essa a vida?

A gente luta, trabalha, sofre, cria expectativas, se decepciona, tenta de novo, envelhece, perde a esperança aos poucos e, um dia, morre.

E pronto?

É só isso?

É para viver essa vida de merda, morrer e acabou?