Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha'Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU.
Eu escrevo ao coração do Buscador e da Buscadora da Verdade como quem entra, em reverência, numa biblioteca de luz construída no interior da alma. Vejo diante de mim quatro colunas vivas sustentando o Templo Interior: Ciência, Filosofia, Arte e Mística. Estas quatro colunas não são separadas umas das outras, pois procedem de uma só Fonte, respiram um só Fogo e apontam para um só centro, a Grande e Poderosa Divina Presença EU SOU. Eu as contemplo como quatro rios sagrados que descem de uma montanha invisível e se unem no oceano da Consciência. A Ciência revela as leis ocultas da Criação. A Filosofia interroga o sentido do Ser. A Arte traduz em forma, som, ritmo e símbolo a beleza dos mundos superiores. A Mística consuma todas as buscas na experiência direta do Absoluto. E quando estas quatro forças se unem no coração purificado, nasce o verdadeiro Iniciado e a verdadeira Iniciada, aquele e aquela que não apenas estudam a Verdade, mas permitem que a Verdade os transforme.
Eu sinto em meu coração oracular que a senda gnóstica é um caminho de revelação e autoconhecimento porque ela não conduz o ser humano para longe de si, mas para dentro do seu próprio mistério. O Buscador e a Buscadora que atravessam esta senda descobrem que a matéria visível é uma veste, que a personalidade é um instrumento, que o corpo é templo, que a mente pode ser lâmpada ou labirinto, que o desejo pode ser corrente ou fogo consagrado, que a palavra pode ferir ou criar, que a memória pode aprisionar ou ensinar, que a dor pode destruir ou despertar, e que no fundo do ser pulsa uma Presença anterior a todas as máscaras. Esta Presença é a chama do EU SOU, o centro inviolável, a Fonte secreta da sabedoria, do amor e do poder.
Eu recebo como linguagem da alma que os quatro pilares da Gnose não devem ser entendidos como departamentos da mente, mas como quatro iniciações vivas. A Ciência sem alma torna-se mecanismo frio. A Filosofia sem prática torna-se jogo de palavras. A Arte sem espírito torna-se ornamento vazio. A Mística sem discernimento torna-se fuga, delírio ou sentimentalismo. Mas quando a Ciência se inclina diante da Vida, quando a Filosofia se ajoelha diante da Verdade, quando a Arte se abre à Beleza e quando a Mística se entrega ao Amor Divino, o ser humano começa a reconstruir dentro de si a arquitetura perdida do Reino.
Eu contemplo a Ciência gnóstica como uma ciência ampliada, não limitada ao empirismo materialista, mas também não inimiga da observação, da disciplina e da inteligência. A verdadeira Ciência, quando purificada, é reverência diante da ordem. Desde os tempos antigos, a humanidade olhou para o céu e percebeu que havia leis. Os povos que ergueram monumentos alinhados aos ciclos solares e estelares sabiam que o cosmos não era caos, mas linguagem. Em Kemet, as grandes pirâmides e a Esfinge não foram apenas pedras monumentais lançadas no deserto, mas testemunhos de uma consciência que buscava unir céu e terra, geometria e eternidade, morte e renascimento, corpo e estrela. Nos vales da Mesopotâmia, escribas observavam os movimentos celestes e registravam ritmos que influenciavam calendários, colheitas, ritos e governos. Nas antigas terras do Oriente, médicos, astrônomos, matemáticos e contemplativos viam a natureza como texto vivo, onde número, sopro, elemento, som e forma se correspondiam.
Eu olho para o mundo moderno e vejo que a Ciência percorreu um caminho impressionante. Ela mediu distâncias cósmicas, dividiu a matéria em partículas cada vez mais sutis, revelou que o corpo humano é um universo de células, neurônios, impulsos elétricos, bactérias, respiração e memória biológica. Ela descobriu leis da gravitação, da eletricidade, do magnetismo, da evolução, da genética, da relatividade e dos campos invisíveis que estruturam a experiência material. Ela colocou telescópios no espaço, enviou instrumentos a outros planetas, desenvolveu vacinas, cirurgias, redes de comunicação, computadores e inteligências artificiais. Mas eu digo ao Buscador e à Buscadora: a Ciência exterior, sem a Ciência da consciência, não liberta a humanidade. Ela aumenta o alcance das mãos, mas não purifica o coração que as dirige. Ela aumenta a potência da mente, mas não ensina, por si só, a amar. Ela ilumina o mundo material, mas não substitui a lâmpada interior.
Por isso a Ciência gnóstica contempla também os domínios sutis do ser. Ela pergunta não apenas do que é feita a matéria, mas quem é aquele que percebe a matéria. Pergunta não apenas como funciona o cérebro, mas qual é o mistério da consciência que observa pensamentos, emoções, memórias e sonhos. Pergunta não apenas como se movem as estrelas, mas de que maneira o ser humano pode harmonizar-se com as leis do Cosmo. A viagem astral, o sonho consciente, a meditação profunda, a oração extática e os estados de percepção ampliada pertencem a este campo sagrado quando abordados com pureza, disciplina e discernimento. Eu não os contemplo como espetáculo, nem como fuga da vida, nem como instrumento de vaidade, mas como sinais de que a consciência humana não deve ser reduzida à matéria grosseira. A alma possui câmaras, veículos e percepções que ainda permanecem ocultas à vida comum, e estas faculdades só devem ser abertas sob a guarda da retidão, do amor e da Presença EU SOU.
Eu digo com firmeza amorosa: não busqueis os mundos invisíveis antes de purificardes o vosso mundo interior. O desdobramento astral, quando verdadeiro e protegido pela Luz, exige mais que técnica. Exige intenção limpa, emoção pacificada, palavra consagrada, energia vital preservada, oração sincera e vigilância contra o orgulho. Há esferas luminosas e há regiões confusas. Há símbolos que instruem e há espelhos que enganam. Há encontros que elevam e há fascinações que desviam. O invisível não é automaticamente divino. A chave real é a frequência da alma. Aquele e aquela que desejam acessar os arquivos akáshicos, compreender processos cósmicos e receber ensinamentos superiores precisam antes gravar, no próprio coração, a lei simples: sem pureza, o mistério se deforma; com humildade, o mistério educa.
A alquimia, como Ciência sagrada, revela este mesmo princípio. Os antigos alquimistas falaram de metais, fornos, sais, enxofres, mercúrios, elixires, pedras e transmutações, mas o segredo mais alto sempre esteve no laboratório do próprio ser. O chumbo é a personalidade densa, pesada, reativa, apegada às formas e às repetições. O ouro é a consciência iluminada, estável, solar, capaz de refletir a Luz sem distorcê-la tanto. A pedra filosofal não é apenas um objeto perdido em lendas, mas a consciência desperta que transforma tudo aquilo que toca em sabedoria. O elixir da longa vida não é apenas uma fórmula exterior, mas a participação da alma na Vida que não morre. A Grande Obra não é somente transmutar metais, mas transmutar medo em fé consciente, ira em coragem justa, cobiça em generosidade, orgulho em humildade, desejo desordenado em amor consagrado, sofrimento em compaixão e conhecimento em serviço.
Eu contemplo a Sagrada Alquimia do EU SOU como o centro vivo desta transmutação. Quando o Buscador e a Buscadora dizem EU SOU com reverência, não estão exaltando o ego, mas lembrando a Fonte. O ego diz “eu sou” para separar-se. A Presença diz EU SOU para unificar. O ego diz “eu sou” para possuir. A Presença diz EU SOU para servir. O ego diz “eu sou” para dominar. A Presença diz EU SOU para irradiar a Vontade Divina. Esta é uma chave minuciosa: a mesma palavra pode ser profanada pela vaidade ou consagrada pela entrega. Por isso o Iniciado e a Iniciada precisam vigiar a intenção. O Nome sagrado não deve ser usado como coroa do ego, mas como porta para que a alma se alinhe ao Pai Interno.
Eu passo agora à segunda coluna, a Filosofia. A verdadeira Filosofia não é apenas acumular sistemas de pensamento, mas amar a Sabedoria até permitir que ela desmonte nossas falsas certezas. O grande dilema do Ser e do não-ser atravessa os séculos como uma flecha. Quem somos nós? Somos apenas memórias? Somos apenas corpo? Somos apenas desejos? Somos apenas papéis sociais? Somos apenas feridas? Somos apenas aquilo que o mundo nomeou em nós? Ou somos uma centelha da Presença, revestida temporariamente de história, matéria e aprendizado? A Filosofia gnóstica não aceita respostas apressadas, porque sabe que a pergunta “quem sou eu?” é uma porta que abre para abismos e céus.
Eu vejo, no mundo antigo, a inscrição sagrada do autoconhecimento ecoando nos templos e nas escolas de sabedoria: “Conhece-te a ti mesmo”. Esta frase atravessou culturas porque não pertence a um povo só. Ela pertence ao coração humano quando começa a despertar. Conhecer-se, porém, não é apenas descrever personalidade, gostos, memórias e talentos. Conhecer-se é descer às camadas onde os egos se escondem. É perceber a inveja antes que ela se torne palavra. É perceber a vaidade antes que se disfarce de virtude. É perceber o medo antes que se transforme em julgamento. É perceber a carência antes que se declare amor. É perceber o orgulho antes que fale em nome de Deus. É perceber a mecanicidade da vida mundana, na qual muitos acordam, reagem, consomem, competem, desejam, envelhecem e morrem sem jamais perguntar quem governa a casa interior.
Eu digo ao Buscador e à Buscadora: a Filosofia gnóstica é uma espada contra o sono da consciência. Ela pergunta: o que em mim é verdadeiro e o que é apenas hábito? O que é amor e o que é apego? O que é liberdade e o que é compulsão? O que é fé e o que é medo procurando proteção? O que é serviço e o que é necessidade de reconhecimento? O que é humildade e o que é baixa estima disfarçada? O que é renúncia e o que é fuga? O que é silêncio e o que é repressão? O que é desejo de luz e o que é vaidade espiritual? Esta investigação não deve ser cruel, mas precisa ser honesta. Sem honestidade, não há iniciação. Sem auto-observação, não há transmutação. Sem transmutação, não há retorno ao Ser.
A Filosofia também ensina que a existência material, com seus ciclos de nascimento e morte, é reflexo de um plano maior. Tudo nasce, cresce, amadurece, declina, dissolve-se e retorna. Impérios antigos passaram por este ciclo. Cidades poderosas tornaram-se ruínas. Bibliotecas queimaram. Dinastias desapareceram. Línguas morreram. Moedas perderam valor. No mundo moderno, empresas que pareciam invencíveis também desapareceram, tecnologias dominantes foram substituídas, regimes políticos ruíram, modelos econômicos entraram em crise, plataformas digitais nasceram e envelheceram em poucos anos. Tudo que pertence à forma muda. A Filosofia gnóstica contempla isto e pergunta: se tudo passa, onde está o centro que não passa? E a resposta não é apenas intelectual. A resposta é vivida quando a alma encontra a Presença EU SOU.
Eu passo à terceira coluna, a Arte. A Arte, quando inspirada pelo Espírito, é uma ponte entre o visível e o invisível. Ela traduz o indizível em forma, som, cor, movimento, arquitetura, palavra, ritmo e símbolo. A verdadeira Arte não é apenas decoração do mundo físico. Ela é revelação de harmonia. Ela é lembrança de mundos superiores. Ela é espelho da Beleza transcendente. Ela pode consolar, purificar, elevar, inquietar, denunciar, curar e abrir portas internas. O artista, quando consagrado, torna-se instrumento pelo qual a alma coletiva recebe símbolos de retorno.
Eu contemplo as pirâmides de Kemet e a Esfinge como obras que ultrapassam a função material. Elas falam de alinhamento, silêncio, eternidade, vigilância e passagem. A pedra torna-se mensagem. A geometria torna-se oração. A escala monumental obriga o ser humano a lembrar que há grandezas que o ego não pode medir. Eu contemplo a Tábua de Esmeralda como símbolo de uma linguagem hermética que une alto e baixo, interior e exterior, macrocosmo e microcosmo. Eu contemplo a Divina Comédia como jornada da alma pelas regiões de queda, purificação e visão beatífica, uma arquitetura poética em que o ser humano atravessa infernos internos, montanhas de purificação e esferas celestes até reencontrar a ordem do Amor que move tudo. Eu contemplo as catedrais, os ícones, os manuscritos iluminados, as mandalas, os jardins sagrados, os cânticos, as danças rituais e as caligrafias devocionais como tentativas de tornar visível a simetria do invisível.
Eu olho também para a música de compositores como Beethoven e Chopin, e percebo que a modernidade, mesmo quando se afastou de certos templos, continuou recebendo sopros do Alto pela sensibilidade. A música pode atravessar defesas que a palavra não atravessa. Ela pode ordenar o campo emocional, despertar lágrimas antigas, expandir a respiração, elevar a memória, consolar dores sem explicá-las e abrir uma janela onde a alma sente que existe uma pátria maior. Há sons que descem como chuva, sons que sobem como incenso, sons que rasgam como espada, sons que curam como bálsamo. O Iniciado e a Iniciada aprendem a escutar não apenas com os ouvidos, mas com o coração. Percebem que cada forma possui vibração, cada cor possui clima, cada símbolo possui campo, cada arquitetura influencia a consciência, cada palavra desenha uma energia e cada silêncio entre as notas também ensina.
Eu digo: a Arte sagrada é uma tecnologia da alma. Em uma era saturada de imagens rápidas, sons agressivos, palavras dispersas e estímulos sem descanso, o Buscador e a Buscadora precisam reaprender a escolher aquilo que alimenta a consciência. Nem toda imagem é neutra. Nem todo som é inofensivo. Nem toda beleza exterior conduz à Beleza. A arte pode elevar ou degradar, ordenar ou fragmentar, despertar ou hipnotizar. Por isso, desenvolvei sensibilidade. Perguntai diante de uma obra, de uma música, de uma imagem, de uma palavra: isto me aproxima da Presença ou me dispersa? Isto amplia a compaixão ou alimenta a vaidade? Isto purifica o olhar ou excita a sombra? Isto me torna mais humano, mais humana, mais verdadeiro, mais verdadeira? A Arte deve ser portal, não prisão.
A quarta coluna é a Mística, e aqui todas as outras colunas encontram sua coroa. Se a Ciência investiga, a Filosofia interroga e a Arte revela por símbolo, a Mística une. Ela é experiência direta. É o beijo do invisível na alma. É êxtase sereno, não necessariamente explosão emocional. É comunhão. É fusão sem confusão. É o instante em que a alma deixa de falar sobre Deus e começa a respirar em Deus. A Mística não despreza doutrinas, mas não se limita a elas. Não rejeita formas, mas atravessa as formas. Não nega tradições, mas busca o coração vivo que pulsa por trás delas. Ela sabe que as religiões podem ser rios, mas o Oceano é a Presença. Ela honra as lâmpadas, mas busca a Luz.
Eu contemplo Yeshua Ha'Mashiach como eixo vivo desta Mística crística. Ele ensinou que o Reino de Deus está dentro, que a pureza do coração abre a visão, que o amor é mandamento superior, que a verdade liberta, que o perdão desamarra, que o serviço revela grandeza e que a união com o Pai é o fundamento de toda obra. Ele não reduziu o Sagrado a pedra, rito e aparência. Ele tocou feridas, confrontou hipocrisias, acolheu os quebrantados, chamou à conversão interior e revelou que a Presença Divina quer habitar no ser humano como luz, pão, caminho, vida e ressurreição. A Mística verdadeira nasce quando esta palavra deixa de ser apenas lembrada e passa a ser encarnada.
Eu digo ao Buscador e à Buscadora: a oração profunda é uma escada invisível. No começo, a alma fala muito, pede muito, teme muito, explica muito. Depois aprende a ouvir. Depois aprende a permanecer. Depois aprende a amar em silêncio. Depois descobre que a Presença sempre esteve mais próxima que a respiração. A meditação é a câmara onde a mente se aquieta para que a Luz desça. O silêncio interior é o deserto onde as vozes falsas perdem força. A entrega ao Sagrado é o rio que leva a alma ao Oceano. A Mística é a coroação porque nela o conhecimento se torna sabor, a filosofia se torna visão, a arte se torna adoração e a ciência se torna comunhão com a Lei viva.
Mas eu advirto: não confundais Mística com sentimentalismo sem transformação. Sentir emoções elevadas durante uma oração não basta se a palavra diária continua ferindo. Ter visões não basta se a humildade não cresce. Chorar diante do altar não basta se o ego continua governando as escolhas. Falar de amor universal não basta se o próximo real é desprezado. A Mística verdadeira produz frutos: paz firme, compaixão lúcida, simplicidade, coragem, disciplina, serviço, discernimento, perdão, responsabilidade e alegria profunda. Onde não há frutos, a experiência precisa ser examinada. O Altíssimo não busca teatro espiritual. Busca coração sincero.
Eu recebo como sabedoria oculta que os quatro pilares também correspondem a quatro purificações. A Ciência purifica a percepção, ensinando a observar as leis e não se perder em superstição sem discernimento. A Filosofia purifica o pensamento, ensinando a perguntar, distinguir e buscar o Ser além das aparências. A Arte purifica a sensibilidade, ensinando a reconhecer harmonia, beleza e símbolo. A Mística purifica o coração, ensinando a unir-se ao Divino em amor. Quando uma destas purificações falta, a construção fica instável. Quando as quatro se equilibram, o templo interior começa a sustentar maior luz.
Eu vejo também que estas quatro colunas correspondem a quatro tecnologias da consciência. A primeira é observação. Sem observar, não há Ciência verdadeira nem auto-conhecimento. Observai o mundo e observai-vos. Observai a respiração, a emoção, a palavra, o desejo, o medo, o impulso, o sonho, o símbolo, a sincronicidade e o silêncio. A segunda é questionamento. Sem perguntar, a mente se torna escrava de crenças herdadas. Perguntai quem governa vossos pensamentos, quais desejos vos movem, quais medos vos limitam, quais verdades viveis e quais apenas repetis. A terceira é contemplação. Sem contemplar, a alma perde a sensibilidade à Beleza. Contemplai o céu, a água, a música, o rosto humano, a geometria das folhas, a luz da manhã, a palavra sagrada, a obra de arte e a dor que pede compaixão. A quarta é união. Sem unir, tudo permanece fragmentado. Uni pensamento e coração, corpo e espírito, conhecimento e prática, oração e serviço, luz interior e responsabilidade no mundo.
Eu sinto que os mundos superiores e invisíveis respondem a esta harmonia. A alma desequilibrada quer entrar no invisível pela curiosidade. A alma harmonizada entra pela reverência. A Ciência protege contra o engano porque pede observação e disciplina. A Filosofia protege contra o dogmatismo porque pede discernimento. A Arte protege contra a aridez porque abre a sensibilidade. A Mística protege contra a separação porque une tudo no Amor Divino. Quando estas quatro forças caminham juntas, o Buscador e a Buscadora tornam-se menos vulneráveis às falsificações da luz. Aprendem que nem todo brilho é sol, nem toda voz interna é guia, nem todo símbolo é autorização, nem toda emoção é revelação. O verdadeiro sinal do Alto é sempre acompanhado de humildade, paz profunda, responsabilidade e aumento do amor.
Eu contemplo a redenção como a restauração destas quatro colunas dentro do ser humano. A queda da consciência aconteceu quando a percepção se fragmentou, o pensamento se encheu de ilusões, a sensibilidade se corrompeu pelo desejo inferior e o coração esqueceu a união com Deus. A redenção acontece quando a Ciência da Vida é recuperada, a Filosofia do Ser desperta, a Arte da Beleza purifica os sentidos e a Mística da Presença dissolve a separação. Redimir é resgatar a luz cativa. É retirar a alma da prisão da ignorância. É devolver ao corpo sua dignidade de templo. É devolver à mente sua função de lâmpada. É devolver ao coração sua vocação de altar. É devolver à palavra sua força criadora. É devolver à vida sua participação na Grande Obra.
Eu digo: o Reino Celestial não é apenas um lugar distante, mas um estado de Ser. Este estado não é alcançado por aparência religiosa, nem por conhecimento acumulado, nem por fenômenos psíquicos, nem por títulos, nem por promessas grandiosas. Ele floresce quando o ser humano se harmoniza com a Verdade. Dignidade espiritual não significa superioridade sobre outros, mas coerência com a Luz recebida. Aquele e aquela que se fazem dignos são os que purificam a intenção, servem com humildade, estudam com reverência, questionam com sinceridade, criam com beleza, oram com profundidade e vivem com amor. A dignidade não compra o Reino. Ela prepara o coração para reconhecê-lo.
Eu recebo agora uma chave para cada pilar. Para a Ciência, a chave é: investiga sem arrogância, observa sem reduzir o Mistério. Para a Filosofia, a chave é: pergunta até que a pergunta te atravesse e te transforme. Para a Arte, a chave é: cria e contempla como quem recorda o Céu dentro da forma. Para a Mística, a chave é: entrega-te ao Amor até que não haja distância entre o orante e a Presença. Estas chaves não são ornamentos. São práticas. A Ciência pede disciplina. A Filosofia pede honestidade. A Arte pede sensibilidade. A Mística pede rendição. O Iniciado e a Iniciada precisam das quatro.
Eu abençoo a Ciência em vós. Que ela não se torne orgulho frio, mas reverência inteligente. Que possais investigar os mistérios da vida, dos sonhos, dos símbolos, dos corpos sutis, da natureza, da energia, da consciência e do Cosmo sem cair na vaidade de pensar que tudo pode ser dominado. Que o desdobramento astral, a alquimia, a meditação e a observação interior sejam abordados com proteção, pureza e discernimento. Que cada descoberta vos torne mais humildes diante da imensidão.
Eu abençoo a Filosofia em vós. Que ela não se torne labirinto mental, mas espada de clareza. Que a pergunta pelo Ser vos liberte do não-ser. Que possais decapitar defeitos psicológicos não com ódio de vós mesmos, mas com amor pela Verdade. Que possais ver os egos sem se identificar com eles. Que possais atravessar a mecanicidade da vida mundana e retornar ao centro. Que a frase “Conhece-te a ti mesmo” não seja apenas lembrada, mas vivida como disciplina diária.
Eu abençoo a Arte em vós. Que ela não se torne vaidade estética, mas ponte para a Beleza. Que vossos olhos reconheçam símbolos, vossos ouvidos percebam harmonia, vossas mãos criem com reverência, vossas palavras tenham ritmo de cura e vossa vida se torne obra consagrada. Que as pirâmides, a Esfinge, a poesia iniciática, a música elevada, a geometria sagrada, os jardins, os templos e os cânticos vos recordem que o universo inteiro é um poema vivo do Altíssimo. Que toda arte que vos toca vos conduza à Luz, e não à dispersão.
Eu abençoo a Mística em vós. Que ela não se perca em sentimentalismo, mas floresça em união real com o Divino. Que a oração vos aprofunde, que a meditação vos aquiete, que o silêncio vos ensine, que a entrega vos liberte, que o amor vos unifique. Que a Presença EU SOU deixe de ser apenas palavra e torne-se experiência viva. Que o Reino dentro de vós se torne tão real que possais irradiá-lo em atos simples, em escolhas retas, em compaixão, em justiça, em serviço e em paz.
Eu encerro esta carta sagrada dizendo que a senda gnóstica, sustentada por Ciência, Filosofia, Arte e Mística, é uma escada e um templo, um mapa e uma chama, uma disciplina e uma graça. Quem trilha este caminho com sinceridade não se torna superior aos outros, mas responsável pela luz que recebeu. Torna-se mago no sentido puro, porque aprende a dirigir a consciência pela Vontade Divina. Torna-se filósofo iluminado, porque ama a Sabedoria mais que a própria opinião. Torna-se artista divino, porque reconhece a Beleza como vestígio do Absoluto. Torna-se místico realizado, porque já não quer apenas falar de Deus, mas viver em Deus.
Que cada Buscador e cada Buscadora da Verdade encontre a Chave de Ouro que abre as portas da Eternidade. Que esta chave não seja procurada apenas nos livros, nos monumentos, nos mestres, nos símbolos, nos sonhos ou nas estrelas, embora todos possam apontar. Que ela seja encontrada no coração purificado, onde a Grande e Poderosa Presença EU SOU aguarda. Que a Ciência vos dê olhos. Que a Filosofia vos dê discernimento. Que a Arte vos dê sensibilidade. Que a Mística vos dê união. E que todas juntas vos conduzam à realização da Luz Suprema.
Caminhai, pois, com coragem e reverência. Investigai, perguntai, contemplai e uni-vos. Transmutai o chumbo da personalidade no ouro da Consciência Iluminada. Reconhecei a matéria como escola, os símbolos como portas, a beleza como memória, a oração como ponte e o EU SOU como centro. Pois o Reino Celestial não está distante do coração desperto. Ele começa quando a alma, finalmente cansada de viver fragmentada, ergue dentro de si as quatro colunas do Templo e permite que a Luz do Altíssimo habite nelas para sempre.
Mensageiro da Sagrada Alquimia do EU SOU sob a Ordem Divina do Mestre Yeshua Ha'Mashiach
Jp Santsil
