Prezados irmãos e amigos,
entendam logo a princípio
que o mal não é o dinheiro.
Mamóm, o pai da fortuna,
diante de Deus, postula
pelo capital estrangeiro.
Se até mesmo o diabo,
diante Deus põe o rabo
trancado meio das pernas,
a cria deste seboso
não rompe o sonho do gozo
da sociedade fraterna.
Pois dito isto percebam
como é pior avareza
que se entregar as paixões.
Porque aquele que ganha,
do que se pesca ou se apanha,
não sofre co´as ilusões.
Assim que a vida amanhece
os barcos todos em prece
singram adentro do mundo.
No que os olhos alcançam,
não cabem preço ou balança:
tem um valor mais fecundo!
Enquanto pelos mercados
o preço dos seus pescados
atigem a estratosfera,
lagostas lotam os pratos
e o pescador lambe os lábios
lambendo o pão na panela.
Pra se tornar mais gourmet
as suas mãos vão colher
um paladar vegetal...
Então se bate um suco
com esses frutos maduros
que brotam pelo quintal.
Depois da ceia completa
só se restando a sesta
como serviço do dia,
as mãos que armam as redes
acendem vários prazeres
fumando esta alforria.
Pois tem seu dia completo
no meio de tantos prédios
repletos de empregados...
Enquanto a rede o espreguiça
sem a menor das cobiças
do gosto pasteurizado.
Seu dia passa com calma
sem amarguras na alma
sem prestações a vencer.
Depois de longo descanso
ainda sentindo o banzo
levanta para comer.
Então pensando no dia,
que logo de manhãzinha,
vai ver o mar lá por dentro.
Uma vontade o toma
enquanto sobe o aroma
de camarão, coco e coentro.
Pra isso serve o dinheiro
na vida do marinheiro
enquanto a noite se dana:
ao arrumar as tarrafas
entorna várias garrafas
de amor a vida e de cana!

