NICOTINA
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NICOTINA

Voltei a fumar. Mal completei um mês de abstinência e já volto a me destruir jogando dinheiro fora nessa vaidade de me sentir o James Dean tupiniquim ou um projeto de Kerouac tropical, os americanos me devem dois pulmões novos. Sei que a culpa é toda minha, dizia pra mim mesmo: "O cigarro parece seu amigo, mas é seu inimigo". Já não funciona mais.

Tento entender-me no fuzuê frenético entre viver bem e viver com saúde - conceitos esses pra mim, diametralmente opostos; como se é feliz sem nem se destruir um pouquinho? Não sei dizer. Meus pais não me ensinaram a sobriedade nem a mensurar muito bem as diversões, somos bohemios de samba e acho que está no sangue, na terra e em última instância, em nossas almas perdidas na malandragem carioca.

Fumo a quase três ou quatro anos, mas faz um que me via pensando em parar: "Dinheiro e saúde não valem essa diversão barata", dizia eu no auge da minha racionalidade crua e fria. Não sei se vou conseguir parar de novo, mas só quero que o aperto no peito, a ansiedade e o estresse sumam de mim, quero ser dono de mim mesmo por que a nicotina tomou meu corpo e mente de assalto a mão armada mediante de ameaça. Cigarros ainda caçam-me os sonhos (ou pesadelos).

 

14 Fev, 2021