naquele céu vermelho
o ritmo do Oxê batendo na pedra
trovoava faísca pra todo lado
a fumaça e o fogo
anunciavam o calor
o martelo e a foice
a espada e o facão
o torquês e a pá e a picareta
abençoavam o trabalho
o vento era cortado por raios
um búfalo reluzia prateado
naquele céu vermelho
o futuro anunciado
refletia o meu passado
depois da diáspora
após o banzo
superando o genocídio fascista
a pandemia e a miséria
a poesia
afrofuturista alegria
sobreviverá para reinventar
a humanidade
com novas Timbuktus
douradas de metal e cereais
livros e histórias ancestrais
e um grande amor
transbordante
quente
e feliz

