Inapta plenitude

Inapta plenitude

Nasceram em mim um par de asas,

não para voar,

não para embelezar,

apenas para estar.

Me ofereceram água,

não para beber,

não para limpar-me,

apenas para meu ver.

Teceram para mim roupas,

não para vestir-me,

não para vangloriar,

apenas para gastar.

Onde a água corre

e o bebum não sabe andar;

onde a asa pousa

e a roupa não sabe queimar;

onde o fim chega

e não se gasta;

onde o novo começa

sem vangloriar;

onde o nascimento não é beleza

e a mim não pode estar.

A quem eu falo? Não sei.

A quem escuta? Não vou querer.

Não posso rever ou ler,

só sei que não posso ter.

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