Flores, Lagartos e Tigres
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Flores, Lagartos e Tigres

No início, as flores eram como as primeiras igrejas, tímidas e singelas. Agregavam o povo em cirandas, e punha-os a cantar hinos, dançar danças, fazer amor..., hoje são pecaminosas, ai de alguém se tocar, cheirar, amar uma. É de capaz ir ao inferno do lado dos pecadores de verdade; os que não amaram, não, cheiraram, não tocaram, não viveram...

Lagartos são criaturinhas muito interessantes, correm rápido de qualquer coisa. Quando qualquer perigo está eminente lá estão eles, todos balbuciando passos desajeitados porem rápidos, e até que eficientes, passos que mais parecem danças tribais humanas (das épocas onde a maldade era mais simples). Mas uma ironia (ou o sarcasmo de um Deus sádico) é que eles se alimentam de insetos, mas são tratados da mesma forma, com nojo, desprezo, repudia...

Tigres, Leopardos, Onças. Qual é a diferença? Eles são os reis, assustam os lagartos... tem uma desigualdade de força dada pelo todo poderoso Deus para o bem do equilíbrio, um fraco e um forte. A igualdade é uma invenção humana, uma utopia assim como a justiça e a chance de fazer amor verdadeiro, aqueles do tipo selvagem mesmo, sem nãos, sem porens, sem camisinha... Sem nojo do sujo, do mal lavado. Quem diria? Que o homem é mais humano quando está despido de toda a sua civilidade, quando está deitado, de pé, de ponta-cabeça tomado pelo desejo selvagem de força de potência. Estamos em um limbo entre civilidade e animosidade, aqui tudo é chato, não é um nem outro, não é nada, é vazio. Sem gritos ou gravatas, regras ou piratas, com temperaturas amenas, preços razoáveis roupas semi-confortáveis...

 

Janeiro 18, 2018.