entre as fotografias
que já não guardo
o passado amarelo
se abre da janela
do vigésimo quinto andar
não me encontro no horizonte
nem no reflexo no vidro
sou alguém
que nunca imaginei ser
meus poemas andam vazios
dos meus vinte cinco anos
dos porres das putas dos baseados
faltam barracas fogueiras
tombos engraçados saindo da cachoeira
faltam amizades que chamávamos coloridas
tenho vinte e cinco motivos
pra seguir amadurecendo
e outros vinte e cinco milhões
pra querer voar com Sininho
e seguir em festa com os meninos perdidos
ando assim com uma saudade danada de mim
de derramar tintas vermelhas e verdes
de tomar a última cerveja na feira as sete da manhã
tudo é tão chato estranho vazio
só você me resta
conforta e desespera
quero corte fogo vento
boates muros pixados ressacas
trilhas de bicicleta e preguiça
pinga pastel
e esse poema
carregado de vinte e cinco saudades
esparramadas no chão da minha vida

