A roupa com a qual me quer
não cabe em mim
Nu, eu não entro no seu mundo
Sou julgado por meus trajes vagabundos
Mas, minh'alma, é despojada de recalques
Eu me dispo dos meus trajes. Uso os seus
E, entre ternos, viro eterno marionete.
Se ao mundo, os ofendidos e desvalidos
Tu provares que amas e cuidas como eu.
Minha roupa, é feito a casca pra Banana
Ou a seda que envolve a maçã
Não adoça, não têmpera, nem colore
Não separa a fruta podre da outra sã.
Só protege da poeira e dos bichos
E na hora principal se deita ao chão
Quando não, é embolada e vai pro lixo.
O Que importa, o conteúdo e a essência,
Se mantêm, mesmo desnudos, inabalados.
Não se medem iniquidade e decadência
Pela marca do suéter ou do calçado.
Meu amor! a minha fé e a minha crença são isentas de Vuitton, e diadora
Desde que o maior ser que a terra acolheu
Escolheu como berço a manjedoura.
