DESPIDO
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DESPIDO

A roupa com a qual me quer

não cabe em mim

Nu, eu não entro no seu mundo

Sou julgado por meus trajes vagabundos

Mas, minh'alma, é despojada de recalques

Eu me dispo dos meus trajes. Uso os seus

E, entre ternos, viro eterno marionete.

Se ao mundo, os ofendidos e desvalidos

Tu provares que amas e cuidas como eu.

 

Minha roupa, é feito a casca pra Banana

Ou a seda que envolve a maçã

Não adoça, não têmpera, nem colore

Não separa a fruta podre da outra sã.

Só protege da poeira e dos bichos

E na hora principal se deita ao chão

Quando não, é embolada e vai pro lixo.

 

O Que importa, o conteúdo e a essência,

Se mantêm, mesmo desnudos, inabalados.

Não se medem iniquidade e decadência

Pela marca do suéter ou do calçado.

Meu amor! a minha fé e a minha crença são isentas de Vuitton, e diadora

Desde que o maior ser que a terra acolheu

Escolheu como berço a manjedoura.