"A que ponto eu cheguei..."
Repeti pra mim em pensamento enquanto ele cortava a carne do meu prato.
Eu mal tinha forças pra levar a colher à boca, as mãos tremiam e suavam, doíam. Era naquilo que eu me tornava quando a ansiedade refletia no meu físico.
A seriedade no rosto dele me causava um frio na barriga... Aquele homem me viu nos piores momentos, enxugou minhas lágrimas, me colocou no chuveiro, me abraçou nas noites de pesadelo e, além de tudo isso, ainda me servia pedaços de carne pequenos porque dizia que eu precisava me alimentar bem, consumir proteínas.
Eu amava tanto aquele homem, mas por quanto tempo ele iria suportar aquilo? Por quanto tempo me carregaria a tiracolo?
Pensar naquilo me tornava ainda mais frágil, mais dependente, e eu imaginava como definharia sem ele perto de mim.
Estou definhando no presente momento e ele nem faz ideia.

