Começou com o café, eu devia ter uns 10, 11 anos no máximo. A verdadeira Wonderdrug alemã. Ficava acordado jogando videogame e jogava melhor, ficava atendo e produtivo pra fazer os trabalhos do colégio, me sentia quentinho e completo. Me deu a insônia que convive comigo até hoje.
Depois foi o álcool aos 13, 14 no máximo, descobri o que era estar fora do meu estado normal e isso me acalentou, tirou a timidez e fez o mundo girar muito mais fácil, se café me deixava ligado o álcool me desligava. O primeiro porre foi no natal, em família, sempre fomos bons católicos, vomitei e tomei bronca da minha mãe.
Ainda nos 14 eu comecei a curtir uns filmes antigos e percebi que todos fumavam lá, me interessei, foi a queda, numa tarde fresca de primavera a menina que eu gostava na época me ofereceu meu primeiro fumo, foi amor a primeira vista, não tossi. Se café e álcool me botavam lada a lado com os adultos o cigarro me botava lado a lado com os jovens mais velhos que eu, não me sentia tão deslocado nas festas e me juntei a um grupo de falsos amigos que na minha cabeça poderiam virar amigos de verdade.
A maconha apareceu aos 15 e completou o ciclo. Era noite de inverno e os conhecidos maconheiros do prédio me pediram um cigarro - a essa altura do campeonato eu já fumava igual ao Alain Delon.
- Eu dou um cigarro, mas posso fumar um com vocês?
- Lógico, porque não?
Eles eram mais velhos e isso me intimidava mas tinha certo na cabeça que era minha hora de brilhar. Fumei ,fiz papel de bobo, rimos e nos despedimos, nas próprias palavras deles:
- A gente legalizou aqui!
Hoje eu quero parar com o tabaco e não vejo muita saída - o problema de começar jovem é que o seu cérebro se adapta a nicotina e quebrar isso é quase impossível, sigo na luta. Posso afirmar com certeza que cigarro e álcool foram as minhas "portas de entrada" ora, se eu posso fumar um bastão de câncer então porque não um baseadinho? Crianças, não fumem.
28 Fev, 2021

