Queria contar minha história
Sem metáfora nem rodeio
Mas ela chegou num ponto
Que não funcionava o freio
E fiquei desgovernada
"Não controlo mais é nada"
E vivi nesse aperreio!
Começou com a minha morte
Que era algo que eu queria
(Vou pular a parte chata
Que é a parte que eu nascia)
Mas não consegui morrer
Pense, pra você ver
Que ninguém controla o dia.
Meu corpo foi violado
E ali deixei de ser eu
Perdi o meu filho amado
Um anjo que Deus me deu
Por essas e tantas outras
Eu escolheria a forca
Se escolher pudesse eu.
Minha cabeça era uma panela
Daquelas que é de pressão
Que quando tapa o escape
Mela o teto, mela o chão
O jeito é baixar o fogo
E paciência, meu povo!
Pra parar a ferveção.
Ansiedade apertava
Depressão entrou com tudo
Fiquei foi desnorteada
Entrei no oco do mundo
Eu andei pra tanto canto
Mas esqueci o mais santo
Que era aqui bem no fundo.
A vida não pude tirar
Pois gerei o amor em mim
Mesmo com tanto tropeço
Não podia botar fim
Soube que era um menina
Uma obra tão divina
Que chamei de Noemy.
Ansiedade ainda tenho
Depressão nunca saiu
Mas agora tenho outra coisa
Que vale por tantas mil
Essa 'coisa' é a minha filha
Meu milagre, minha sina
Coisa assim nunca se viu!
Dentro de mim, coisas belas
São as que tão na parede
As ruins joguei da janela
Talvez algumas na rede
Pra não me esquecer quem sou
Que mesmo com tanta dor
É o amor que mata a sede.

