Todas as manhãs, quando acordo,
o silêncio deste quarto parece maior que ontem.
E é nele, entre quatro paredes e uma solidão que não aprendi a suportar,
que percebo, mais uma vez,
o tamanho absurdo da falta que você faz.
Já se passaram quatro anos.
**Quatro malditos e intermináveis anos.**
Quatro anos desde que dissemos que era o fim.
Mas... foi mesmo?
Porque nós nunca soubemos terminar.
Foram tantas partidas,
tantos adeuses cuspidos no calor da raiva,
tantos *“não quero mais te ver”*,
tantos *“siga em frente”*...
E, na semana seguinte,
lá estávamos nós outra vez.
Deitados na mesma cama,
sem roupas, sem defesas,
com os corpos ardendo como brasa
e o coração fingindo que nunca havia partido.
Como se a distância fosse apenas um intervalo.
Como se o fim fosse apenas mais uma maneira
de voltar para você.
Mas me diga...
**era para ser assim a nossa história?**
Voltar.
Não dar certo.
Nos perder.
Beijar outras bocas em alguma festa,
na tentativa inútil de preencher aquilo que ficou vazio.
E, depois, como se o destino tivesse pena de nós,
terminarmos novamente um nos braços do outro.
Isso é amor?
Ou somos apenas duas pessoas viciadas
naquilo que nunca conseguimos terminar?
Porque os momentos em que eu quero estar com você
já não me bastam quando são apenas passageiros.
Eu não quero mais o efêmero.
Eu quero algo concreto.
Sólido.
Bruto.
Algo que sobreviva ao tempo, às dúvidas, às tempestades.
Quero que aquilo que construímos tenha a resistência de um diamante:
nascido da pressão,
lapidado pela dor,
e ainda assim capaz de carregar uma luz
que nenhum outro amor consiga possuir.
Algo tão raro
que o mundo não consiga atribuir um preço.
Mas, porra...
Eu já não sei se conseguiremos.
Tudo o que tentamos parece condenado a ruir.
Toda vez que penso que finalmente avançamos,
descubro que estamos novamente no mesmo lugar.
Não existe progresso.
Existe apenas repetição.
Uma lenta regressão disfarçada de esperança.
E talvez seja isso que mais doa:
sentir que todo o meu esforço,
todas as minhas tentativas,
todas as lágrimas que derramei em silêncio
podem estar sendo completamente em vão.
Mas por quê?
Se nós sabemos que, quando realmente queremos,
somos capazes de mudar.
E eu mudo.
Eu mudaria quantas vezes fossem necessárias por você.
Porque eu amo você.
E talvez essa seja a parte mais cruel de tudo:
**sempre vai ser você.**
Mesmo quando tento convencer meu coração do contrário.
Mesmo quando digo que acabou.
Mesmo quando sigo por outras ruas,
beijo outras bocas,
conheço outras pessoas.
No fundo,
há sempre uma parte de mim
que ainda procura você.
Mas a história nunca muda.
Eu tento.
Você tenta.
Nós tentamos.
E, no final,
é sempre igual.
É como abrir um livro que já li antes.
Eu conheço cada página.
Conheço os personagens.
Conheço as promessas.
Conheço a esperança crescendo entre as linhas.
Ainda assim, eu leio.
Porque algumas histórias são tão bonitas
que nos fazem esquecer
que já sabemos como terminam.
E então chega o fim.
O mesmo fim.
Aquele que eu já conheço,
mas que ainda assim me destrói.
Uma história emocionante,
com páginas capazes de fazer o coração acreditar novamente,
mas com um final horrível demais
para continuar sendo chamado de destino.
Talvez seja errado dizer isso.
Talvez eu esteja apenas cansado.
Talvez ainda exista uma página que não li.
Mas, pela primeira vez,
eu começo a pensar que talvez amar também seja saber quando parar.
Talvez algumas histórias não terminem
porque o amor acabou.
Talvez terminem
porque continuar escrevendo
é transformar amor em ferida.
E talvez...
Só talvez...
**tenha chegado a hora de fechar este livro.**
Não porque eu deixei de amar você.
Mas porque, depois de quatro anos,
talvez eu precise aprender
que algumas pessoas podem ser eternas dentro de nós
sem precisarem continuar fazendo parte da nossa história.
Talvez esta seja a nossa última página.
E talvez, desta vez,
eu precise ter coragem
de não escrever outra.
