Tem algo entalado
no ralo coxo onde falo.
Não sei o que é
nem seu fim ou começo.
Sinto-o, apenas.
Sinto-o no sono que não descansa
nas mãos hesitantes sob o papel
e na repetida dose última
dum uísque barato.
Nessa coisa não dita
engasgo à tela da TV e do celular
e inclusive àquela
que pintei hoje à tarde.
Respiro errático aonde quer
que pouse meu olhar
eu me afogo
e não consigo nadar.

