SEM AR
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SEM AR

Tem algo entalado

no ralo coxo onde falo.

Não sei o que é

nem seu fim ou começo.

Sinto-o, apenas.

Sinto-o no sono que não descansa

nas mãos hesitantes sob o papel

e na repetida dose última

dum uísque barato.

Nessa coisa não dita

engasgo à tela da TV e do celular

e inclusive àquela

que pintei hoje à tarde.

Respiro errático aonde quer

que pouse meu olhar

eu me afogo

e não consigo nadar.