Nunca entendi o por quê,
mas aos sábados
ele me chamava
toda vez à mesma balada
e nesses inícios
ou fins de noite
eu por hábito recusava.
Não sou de dançar.
Nunca entendi o por quê
mas ele sempre insistia
e nesse vai não vai
sempre ia.
Beleza, paga minha entrada.
Além da economia,
ainda sobrava um razoável porquê
de minha presença ali
quando no fundo
só não queria estar só
Nunca entendi o por quê,
mas à saída
ele se apoiava em meus ombros,
forçando embriaguês
enquanto bradava o caralho
de sua consideração por mim.
Tínhamos história, sim
que no entanto se tornava nada
noite após noite
na balada,
um nada por ele esforçado
em não ser nada
sendo além de vazio,
frustrado.

