NO MEIO DA NOITE
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NO MEIO DA NOITE

Um fervor contido

sem borbulha nem fumaça

à vácuo lançara-o

escrita adentro na madrugada.

 

Tadinho

embora mal compreendesse

bem o porquê disso tudo

seguiu firme

cozinhando ideias turvas

no cristal liquido.

 

Numa hora

até mesmo vislumbrou sossego

de sua sina literária

mas não sei

essa estrofe assim truncada

essa repetição aqui

e

aquela coisa ali

diluiram por completo

o doce ponto final.

 

Frustrado

largou o bloco de notas virtual

e checou se já havia

alguma resposta dela, afinal.

 

Não é sua noite, amigão.

 

Retornou febril

catando pelas entre-linhas

do texto encalhado

palavra qualquer que lhe dissesse

o silêncio angustiado.

 

Em fim, conseguiu

e partiu pro sono merecido

nada quente

mas aquecido.