Nesta noite quente de domingo
A lua minguante brilha
Soberana sobre milhões de luzes das casas da cidade ao norte
Ela dorme suada e nua sobre o lençol amarrotado
Despedida dos dias inesquecíveis vividos
Ele observa no canto
As gotas que se forma nas curvas daquele corpo quente
A respiração lenta
A gata que ronrona
O silêncio do quarto escuro
A penumbra que a lua ilumina
Sonhos ocultos
Pensamentos interrompidos
Ela o chama
Ele vai
Beijando o corpo suado
A barba roça sobre a pele molhada
O beijo, a mordida e a voz abafada
Noite quente de domingo
Nesta noite não há melancolia
Nem medo
Só penumbra
E dois corpos unidos pela eterna e breve
Noite quente de um primeiro domingo de outono...

