pretendo um dia voltar
aos bares de Manaíra
bebendo litros de sonhos
de solitude e de ira,
me perfumar com pescados
sem esse nome gourmet
e declamar meus poemas
pra quem não sabe ler...
pois sou irmão da desgraça
duma linhagem mendiga
que não se encontra no tempo
e nem se encaixa na vida
que tem a pele corada
e pelo sol revestida
e vai mudando de nome
conforme a rua o apelida

