MÃE TERRA
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MÃE TERRA

MÃE TERRA

 

enquanto as paragens do tempo resgatam

o ódio, a inveja, a cobiça e a prisão

no largo infinito, igualmente a um grão

flutua no tempo teu sonho de mata

enquanto a maldade do homem distrata

teu corpo macio em formato de anjo,

meu verso vadio vela teu descanso

que a minha mãe só merece respeito,

um colo, um carinho, um beijo e travesseiro

um gole de água e um povo mais manso...

 

saindo do ventre, para o teu dorso

fecundam-se todos e vivem os homens

os mesmos que plantam, colhem e consomem

as flores e frutos que dás sem remorso

do velho ao adulto e até o mais moço

descansam a vida nas tuas costelas

mas nuncam agradecem a esta parcela

da vida que tiras de ti para dar

só comem e cospem e vivem a mijar

sem pingo de senso, remorso ou cautela...

 

e eles se matam e criam defeitos

e criam distâncias de outros mortais

poluem os leitos e os manaciais

e não os enxergam mais como espelhos

que tudo que presta, brotou do teu peito

da tua imagem girando no ar

com vidas e sonhos de tudo o que há

pois tudo que é belo nasceu do teu nome,

Jesus e Maria, o Filho e o Homem

e a onda que dança ciranda no mar