Lua Escura

Lua Escura

Querida minha

Hoje passeio em devaneios pela noite escura a sua procura

Hoje não me contemplaste com tua bela face iluminada, e triste caminho por essa trilha incerta do existir sem ti

Apenas um vazio em meu coração palpita reclamando a sua presença

Na tua ausência percebi que o céu era vasto e imenso de estrelas a cintilar

Porém, vazio do mistério e do segredo de te amar

Minha Querida

Onde foste que não me levaste

Por que de mim te ocultaste

Sabes que te amo, e sem ti, sou cego em meu solitário noturno caminhar

Triste, sento-me novamente na beira do meu interno lago, fecho os meus olhos no escuro do infinito abismo de escuridão… de que me importa os olhos abertos se não posso te contemplar fora… volto-me para morada do coração, e lá te imagino a me iluminar com teu claro sorriso.

Te vejo nos meus amorosos pensamentos deitada sobre o teu céu escuro na cama ilustrada de planetas errantes e estrelas, em pequenos passos lentos e silenciosos vou ao teu encontro, e vejo que dormes encoberta pela sombra da terra. Apenas silenciosamente te contemplo, admirando o teu sono profundo… estou aqui contigo Meu Amor

Em minha meditação adentro em teus mágicos sonhos… como estás bela a dançar com tuas guirlandas de estrelas. De repente, nossos olhos se encontraram, e não entendi porque ficaste estagnada com minha sutil presença, e lágrimas vi cair em seu lindo rosto que se evaporaram em uma cortina de serenos noturnos… de súbito repentino, me vejo te abraçando… e novamente nada entendi, porque evaporaste súbita e repentinamente dos meus braços como uma gota d’água a tocar uma superfície aquecida… e solitário me vejo, também, chorando, culpado por interferir em sua intimidade.

Ó! Meu Amor… que maldição é essa que nos prende ao estar separado e nos separa ao estar preso?

 

Te vi triste Meu Amor, e em tristezas doloridas estamos

Dançamos juntos de mãos dadas ao som dessa música melodiosamente triste

Nossos corpos chorando se juntam embalados por essa solidão

Que segredos o seu coração guarda?

Que mistérios esconde a tua face oculta?

Do que sabes que não sei!?

Por que tamanho silêncio?

Não percebes que estou aqui para ti!

Por que me abandonaste hoje?

Somos tocados pela dor da separação…, mas, haveria tanta beleza se estivéssemos agora juntos?

O que separa o Criativo do Receptivo senão a beleza do caminhar separado, ao se unir no imaginário! Então, caminhemos eternamente juntos com nossas mãos dadas na doce solidão a imaginar

Quero te ouvir, que tristeza melodiosa canta seu coração

Neste céu silenciosamente noturno, em que ansiosa volta tua face iluminada para baixo… o que pensas?

Quero te compreender… me fale de tua tristeza, pois sei que a oculta quando enxuga suas lágrimas rapidamente em gotículas de sereno

Por que só te revelas para mim em parte, se para você sou o todo de tudo em toda face?

Te vi sentada no trono da noite

Suas mãos acariciavam o rio do Nilo celeste

E sentada sobre os seus calcanhares na taça da flor de lótus, o rio luminoso em que tocas arrasta infinitas flores estrelares

Estás festivamente adornada de luminescências e cintilantes aureolas Meu Amor

Vi uma beleza sobrenatural no seu amável rosto…, e, uma tristeza oculta… um mistério!

Em sua majestade vejo que rege a Estrela Mágica, e oito vezes com sua foice crescente a decepaste do noturno céu enviando-a para mim, como a linda Estrela da Manhã. Porém, oito vezes com sua foice minguante, novamente decepaste do céu agora diurno, tomando-a de volta para si, como a linda Estrela Vésper… Essa Estrela é a nossa Mensageira do Amor… de nosso solitário Amor

Dorme tranquila Meu Amor

Em sua luz encoberta de encantamento na paz de tua força interior

Sinto seu amor… Meu Amor… pleno de força plena

Sua atmosfera mágica me envolve no frescor de seu sereno carinhoso pelo qual solitário me condena

Hoje! No breu da noite

Estudarei em meditação as tuas leis celestes

Na sombra terráquea em que dorme te vestes

E, nesse céu em que hoje de mim te ocultas

Esperarei no amanhã a sua doce poesia

Pelo qual me revela a sua face oculta

Na companheira doce tristeza do meu amargo solitário alegre dia

 

Jp Santsil

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