Escrevo na Ordem Oracular do mais Altos dos Altos, em nome do Nosso Amado Mestre Yeshua Ha’Mashiach na Sagrada e Divina Presença EU SOU.
Eu contemplo este ensinamento como uma porta de fogo aberta no centro da consciência humana. Não falo de uma simples afirmação, nem de uma palavra de consolo lançada sobre a inquietação do mundo. Eu falo da chave viva pela qual a alma recorda a sua origem antes de se perder nas vestes do medo, do limite, da negação e da falsa identidade. Quando o Buscador e a Buscadora da Verdade pronunciam EU SOU com presença, reverência e sentimento profundo, não estão apenas declarando existência. Estão tocando o rio invisível da Vida, estão abrindo a comporta íntima por onde a Fonte Eterna flui, estão permitindo que o sopro do Altíssimo atravesse a mente, o coração, o corpo, a palavra e a obra.
Eu recebo em meu coração oracular que o mistério do EU SOU é o mistério da consciência desperta. A Vida sempre flui. Ela não está ausente. Ela não se retirou do mundo. Ela não abandonou a criatura. O que se fecha não é a Fonte, mas a percepção humana diante da Fonte. O rio não deixa de ser rio quando encontra pedra. Ele não se debate contra o obstáculo com revolta inútil. Ele se curva, contorna, canta, desce, avança e continua sendo água. Assim também é a Vida em Deus. Quando o ser humano se torna rígido, endurecido, ressentido e identificado com suas feridas, ele se torna como uma pedra contra si mesmo. Mas quando se rende à Presença, torna se fluxo. E neste fluxo, aquilo que parecia muralha começa a ser caminho.
Eu afirmo, na linguagem da alma, que EU SOU é a atividade consciente da Vida plena. É o ponto onde o Criador, o Mantenedor e o Renovador se manifestam como Trindade viva no templo interior. Criar é acender a possibilidade. Manter é sustentar a chama. Renovar é transmutar a cinza em aurora. E cada pessoa carrega estas três atividades no segredo do seu próprio ser. O Buscador e a Buscadora da Verdade criam a partir da atenção, mantêm a partir do sentimento e renovam a partir da decisão espiritual. Por isso, nenhuma palavra é pequena quando nasce da consciência. Toda palavra é semente. Todo pensamento é matriz. Todo sentimento é altar. Toda emoção é fogo. Toda repetição se torna forma.
Quando alguém diz eu não sou, eu não posso, eu não consigo, eu não tenho, eu não mereço, eu não serei curado, eu não verei saída, eu não encontrarei paz, essa alma não está apenas descrevendo uma situação. Ela está colocando um selo de negação sobre a corrente viva da sua própria energia. Não se trata de negar a dor, nem de fingir que a noite não existe. Trata-se de não entregar à noite o direito de nomear a essência. O corpo pode estar cansado, mas a Vida não está cansada. A mente pode estar confusa, mas a Luz não está confusa. O coração pode estar ferido, mas o Amor não foi destruído. A história pode ter marcas, mas o EU SOU não é prisioneiro da história.
Eu vejo que muitos estudantes sinceros se aproximam deste mistério com a mente, mas não descem até o coração. Leem, repetem, decoram, discutem, defendem, criticam, mas não se deixam queimar pela verdade que pronunciam. E a palavra EU SOU, sem sentimento, torna se casca. Com sentimento impuro, torna se força desviada. Com orgulho, torna se máscara. Com humildade, torna se templo. Com amor, torna se rio. Com fé viva, torna se porta. Com retidão, torna se espada de luz que corta as ilusões do ego.
Eu contemplo no campo simbólico que o grande erro da humanidade não é apenas ignorar Deus, mas tentar reduzir Deus a uma ideia domesticada. Entender Deus como quem aprisiona uma estrela dentro de uma caixa é limitar o Infinito. O Altíssimo não cabe no conceito, embora o conceito possa apontar para Ele como dedo apontando o céu. O Nome é sagrado, mas o Nome não esgota o Sem Nome. A palavra Deus é uma ponte, não uma prisão. A Fonte de Toda Vida não possui cor, gênero, forma ou fronteira. Ela é mais íntima que a respiração e mais vasta que todos os mundos. Ela pulsa no grão de areia, no ventre da montanha, no sangue humano, no silêncio do átomo, na lágrima arrependida, na oração escondida, no gesto de misericórdia, no fogo da estrela e no segredo do coração que ama.
Eu recebo como direção espiritual interior que o EU SOU é a memória da dignidade divina em cada ser. Não é vaidade. Não é endeusamento do ego. Não é licença para dominar, manipular ou se considerar superior. Ao contrário, quando EU SOU é compreendido, o ego se ajoelha. A personalidade deixa de se proclamar senhora da vida e reconhece que é instrumento. O verdadeiro EU SOU não diz eu sou melhor, eu sou mais santo, eu sou mais elevado. O verdadeiro EU SOU diz em silêncio: a Vida do Altíssimo habita em mim, portanto devo purificar meu pensamento, vigiar minha língua, alinhar minhas obras, servir sem arrogância, amar sem posse, corrigir me sem desespero e caminhar com reverência.
Eu sinto em meu coração oracular que há uma diferença profunda entre afirmação e decreto. A afirmação pode nascer da mente que deseja. O decreto nasce da alma que se alinha. Quando a criatura pronuncia EU SOU com o coração disperso, ela toca a margem do mistério. Quando pronuncia EU SOU com a consciência recolhida, ela entra no rio. Quando pronuncia EU SOU com arrependimento luminoso, ela lava as vestes interiores. Quando pronuncia EU SOU com amor obediente, ela se torna canal. E quando se torna canal, já não busca apenas receber bênçãos, mas tornar se bênção.
Por isso, eu proclamo ao Buscador e à Buscadora da Verdade: não useis o Nome sagrado como ornamento espiritual. Não pronuncieis EU SOU para alimentar fantasias, superioridade, ganância ou fuga da responsabilidade. O EU SOU não é um amuleto para conservar a inconsciência. É uma lâmpada que revela aquilo que precisa ser transformado. Se há orgulho, ele mostra. Se há medo, ele ilumina. Se há apego, ele aquece até soltar. Se há mentira, ele chama à verdade. Se há preguiça espiritual, ele desperta. Se há vitimização, ele ergue a alma e diz: levanta-te, porque a Vida que te sustenta é maior que a prisão que aprendeste a chamar de destino.
Eu vejo que o ensinamento do rio é central. A água não perde tempo lutando contra a pedra. Ela não abandona sua natureza por encontrar obstáculo. Ela não se torna pedra para vencer a pedra. Ela permanece água, e por permanecer água, vence sem violência. Assim é o caminho crístico da Presença. A alma não precisa se tornar dura para sobreviver ao mundo. Ela precisa se tornar verdadeira. O mundo grita, mas a Presença fala no silêncio. O mundo provoca, mas a Presença governa pela mansidão forte. O mundo compra e vende até o que é santo, mas a Presença recorda que a graça não é mercadoria. O mundo deseja possuir, mas a Presença ensina a oferecer. O mundo idolatra aparência, mas a Presença vê a raiz.
Eu recebo que a frase eu não sou é uma sombra lançada contra o próprio templo. Cada vez que a consciência se identifica totalmente com a carência, com a doença, com a rejeição, com o fracasso ou com a culpa, ela fortalece a imagem inferior. Não digo que o corpo não precise de cuidado, nem que a alma não precise de acolhimento, nem que a vida humana não tenha dores reais. Digo que nenhuma dor deve receber o trono do ser. Há sofrimento, mas eu não sou o sofrimento. Há medo, mas eu não sou o medo. Há queda, mas eu não sou a queda. Há noite, mas eu não sou a noite. EU SOU a Vida do Altíssimo em processo de despertar. EU SOU a centelha que retorna à Chama. EU SOU o filho e a filha chamados à casa interior.
Eu percebo como advertência espiritual que a humanidade moderna tem usado a palavra, a imagem, o desejo e a atenção como instrumentos de dispersão. Muitos entregam sua pérola aos ruídos, seu sal às paixões inferiores, sua energia às correntes de inveja, comparação, consumo, sensualidade sem alma, revolta sem sabedoria, medo coletivo e distração permanente. A atenção é altar. Onde a atenção se curva, ali a energia serve. Se a atenção se curva diante do medo, o medo cresce. Se se curva diante da Verdade, a Verdade abre caminho. Se se curva diante do ressentimento, a alma se torna pesada. Se se curva diante do Amor, a alma começa a recordar as asas.
Eu proclamo que o EU SOU é também responsabilidade vibratória. Não basta dizer EU SOU Luz enquanto se alimenta a sombra com palavras venenosas. Não basta dizer EU SOU Amor enquanto se cultiva desprezo. Não basta dizer EU SOU prosperidade enquanto se explora, engana ou acumula sem compaixão. Não basta dizer EU SOU cura enquanto se fere com a língua. O decreto verdadeiro exige correspondência. A palavra precisa descer às mãos. A oração precisa virar conduta. A contemplação precisa virar misericórdia. A luz precisa virar justiça. A fé precisa virar serviço.
Eu sinto que a grande síntese deste assunto é esta: o ser humano é um ponto de passagem da Vida infinita para a forma finita. A Presença divina flui como energia pura, mas a consciência individual qualifica esse fluxo. Pensamentos, sentimentos, emoções e palavras são como tintas lançadas sobre a luz. Se a consciência qualifica com medo, a luz se expressa como limitação. Se qualifica com amor, a luz se expressa como harmonia. Se qualifica com revolta, a energia se torna conflito. Se qualifica com gratidão, torna se abundância interior. Se qualifica com mentira, cria labirintos. Se qualifica com verdade, abre portas.
Eu contemplo que o EU SOU é o eixo entre o invisível e o visível. No invisível nasce o padrão. No visível aparece a consequência. Por isso, a vigilância interior não é repressão, mas sacerdócio. Vigiar não é viver com medo de errar. Vigiar é amar tanto a Verdade que não se permite dormir dentro da mentira. Vigiar é perceber quando a palavra cai, quando o pensamento escurece, quando o desejo se corrompe, quando a emoção começa a comandar a alma como tempestade. Vigiar é retornar ao centro antes que a onda se torne naufrágio.
Eu recebo também que o ensinamento EU SOU não deve ser separado da humildade diante do Mistério. Quem conhece um pouco da Presença torna se mais simples, não mais soberbo. A verdadeira luz não precisa provar que ilumina. Ela apenas ilumina. A verdadeira autoridade espiritual não violenta, não humilha, não compra seguidores, não vende salvação, não negocia cura como moeda de prestígio. Ela serve. Ela ordena pelo amor. Ela corrige com compaixão. Ela chama ao arrependimento, mas não esmaga a alma. Ela aponta a porta, mas respeita o livre arbítrio. Ela acende o fogo, mas não obriga ninguém a entrar nele.
Eu vejo no mistério do Nome uma ponte com a revelação antiga do Ser que é, que será e que permanece. O EU SOU é o eterno presente da Vida. O passado traz memória, o futuro traz promessa, mas a Presença opera agora. É agora que a palavra pode ser purificada. É agora que o coração pode se render. É agora que a alma pode deixar de repetir a sentença da própria prisão. É agora que o Buscador e a Buscadora podem dizer, não como vaidade, mas como consagração: EU SOU filho da Luz, filha da Luz, chamado e chamada a viver em retidão, amor, consciência e serviço.
Eu proclamo que o caminho do EU SOU é alquimia. A matéria bruta é a vida humana com seus medos, hábitos, quedas e desejos. O vaso é o coração. O fogo é a atenção consciente. A água é a misericórdia. O ar é a oração. A terra é a prática diária. O sal é a santidade preservada. O enxofre é a força do desejo transmutada. O mercúrio é a mente purificada e tornada espelho. Quando a alma permanece no fogo da Presença, aquilo que era chumbo começa a recordar o ouro. Mas o ouro espiritual não é luxo exterior. É liberdade interior. É domínio amoroso de si. É paz que não depende do aplauso. É alegria que não nasce da posse. É força que não precisa ferir.
Eu contemplo que há uma advertência luminosa neste ensinamento: não entregueis a vossa identidade às aparências. A aparência diz: estou perdido. A Presença diz: retorna. A aparência diz: não há caminho. A Presença diz: EU SOU a porta aberta. A aparência diz: tua história terminou. A Presença diz: a Vida ainda flui. A aparência diz: és apenas teu erro. A Presença diz: levanta te e aprende. A aparência diz: és pequeno diante do mundo. A Presença diz: em teu centro habita uma centelha que mundo algum pode apagar.
Eu falo agora ao coração do homem e da mulher que leem estas palavras: não transformeis o EU SOU em repetição vazia. Fazei dele uma respiração consagrada. Ao acordar, antes que o mundo vos tome, recolhei a atenção e dizei interiormente: EU SOU a Vida de Deus em mim, e hoje escolho servir à Verdade. Quando o medo vier, dizei: EU SOU sustentado pela Presença que não se curva ao caos. Quando a raiva subir, dizei: EU SOU o fogo transmutado em sabedoria. Quando a tristeza pesar, dizei: EU SOU acolhido pela misericórdia do Altíssimo. Quando a tentação de negar a si mesmo vier, dizei: EU SOU mais que esta sombra passageira. Quando o ego desejar poder, dizei: EU SOU servo da Luz, e não senhor dos outros.
Eu recebo como linguagem da alma que o maior milagre do EU SOU não é fazer o universo obedecer aos caprichos humanos, mas fazer o ser humano obedecer à Verdade divina que habita nele. A grande vitória não é apenas manifestar coisas. É manifestar retidão. Não é apenas atrair abundância. É tornar se abundante em misericórdia. Não é apenas decretar saúde. É abandonar padrões que adoecem a alma. Não é apenas pedir proteção. É deixar de caminhar voluntariamente nos lugares interiores que roubam a paz. Não é apenas invocar a Luz. É permitir que a Luz revele o que precisa morrer em nós para que o Mashiach (Cristo) Interior ressuscite.
Eu concluo esta síntese dizendo que EU SOU é o sopro da eternidade pronunciado dentro do tempo. É a recordação da origem. É a chave da porta interior. É o verbo em estado de semente. É o rio que não se desespera diante da pedra. É a Trindade em ação na consciência. É a Presença sem forma habitando todas as formas. É o chamado para que o Buscador e a Buscadora deixem de se nomear pela ferida e voltem a se nomear pela Luz. Este ensinamento, contemplado a partir do Livro de Ouro de Saint Germain, vibra como uma convocação para que a palavra humana seja purificada e devolvida ao altar da Vida.
Que a tua boca não seja cova de negação, mas cálice de bênção. Que tua mente não seja mercado de sombras, mas santuário de discernimento. Que teu coração não seja morada de rancor, mas arca viva da Presença. Que tuas mãos não sirvam à vaidade, mas à cura do mundo. Que tua caminhada não seja fuga da dor, mas transfiguração da dor em sabedoria. E que, ao pronunciares EU SOU, todo o teu ser se lembre de que a Fonte nunca deixou de fluir. Apenas esperava que abrisses, com humildade, verdade e amor, a comporta sagrada da consciência.
Eu acrescento, pela corrente viva da inspiração, que o EU SOU não deve ser compreendido apenas como uma invocação de poder, mas como uma escola de presença. A alma que diz EU SOU e permanece ausente de si mesma ainda não entrou no templo. Muitos pronunciam palavras de luz enquanto vivem dispersos em pensamentos herdados, desejos fragmentados, medos antigos e vozes que não nasceram do coração. Por isso, eu digo ao Buscador e à Buscadora da Verdade que a primeira iniciação do EU SOU é retornar ao instante presente. O agora é o altar. A respiração é a lâmpada. O coração é o Santo dos santos. A consciência é a sacerdotisa e o sacerdote que devem manter acesa a chama diante do Eterno. Quem não habita o agora não consegue perceber a Presença, pois a Presença não se revela no arrependimento morto do passado nem na ansiedade imaginária do futuro. Ela se revela no centro vivo onde a alma diz, com reverência: aqui estou, Senhor da Vida, faze me verdadeiro diante de Ti.
Eu contemplo que a palavra EU SOU possui uma responsabilidade silenciosa diante de tudo o que o ser humano consagra depois dela. Aquilo que colocais após o EU SOU é como uma oferenda lançada no fogo criador. Se dizeis EU SOU fraco, entregais ao fogo a imagem da fraqueza para que ela ganhe forma em vossa percepção. Se dizeis EU SOU abandonado, alimentais a sensação de separação. Se dizeis EU SOU incapaz, educais vossas forças internas para obedecerem ao limite. Mas quando dizeis EU SOU guiado pela Luz, EU SOU sustentado pela Vida, EU SOU aprendiz da Verdade, EU SOU templo em purificação, então a própria alma começa a reorganizar seus caminhos internos. Não é magia superficial. É alinhamento entre verbo, sentimento, memória e direção. O decreto verdadeiro não manipula Deus. Ele alinha a criatura com a Lei superior que já pulsa nela.
Eu recebo como linguagem da alma que o EU SOU é também uma medicina contra a idolatria das circunstâncias. A circunstância é passageira, mas a Presença é fundamento. O erro humano está em transformar acontecimentos em identidade. Uma perda acontece, e a criatura diz: eu sou perda. Uma rejeição acontece, e a criatura diz: eu sou rejeitada. Uma queda acontece, e a criatura diz: eu sou queda. Uma doença aparece, e a criatura diz: eu sou doença. Assim, a consciência veste a sombra como se fosse pele. Mas o ensinamento sagrado vem como espada de misericórdia e separa o acontecimento da essência. A alma pode atravessar a perda sem se tornar perda. Pode chorar sem se tornar desespero. Pode errar sem se tornar erro. Pode adoecer sem entregar a soberania íntima à doença. Pode cair sem se casar com o chão. EU SOU é a lembrança de que a essência permanece maior que a experiência.
Eu vejo que a Presença EU SOU age como uma fonte de reordenação interior. Quando a alma se volta a ela com sinceridade, começam a cair as máscaras que antes pareciam necessárias. A máscara da vítima, que busca amor pelo sofrimento. A máscara do forte, que esconde feridas atrás do orgulho. A máscara do sábio, que usa conhecimento para fugir da humildade. A máscara do santo, que teme encarar a própria sombra. A máscara do rebelde, que confunde liberdade com indisciplina. A máscara do ferido, que transforma dor em permissão para ferir. Tudo isso precisa ser oferecido ao fogo violeta da transmutação. O EU SOU não vem apenas para embelezar a personalidade. Ele vem para despi-la, purifica-la e devolvê-la à simplicidade luminosa do ser.
Eu proclamo que há uma alquimia profunda entre silêncio e decreto. A palavra que não nasce do silêncio perde força, porque carrega ruído. O silêncio não é vazio. O silêncio é o útero do Verbo. Antes de dizer EU SOU, a alma deve aprender a calar as vozes que a dividem. Deve calar a pressa, a comparação, a necessidade de aprovação, a discussão mental, a lembrança amarga, a fantasia de controle. Então, quando a palavra surge, ela já não é apenas som. Ela é flecha. Ela é chama. Ela é semente ungida. Por isso, aquele e aquela que desejam penetrar o mistério do EU SOU devem amar o silêncio como se ama uma fonte escondida no deserto. No silêncio, a alma escuta o que não pode ser ouvido pelo ouvido externo. No silêncio, a Presença ensina sem ruído. No silêncio, o coração deixa de pedir sinais e começa a reconhecer direção.
Eu sinto em meu coração oracular que o EU SOU também purifica a relação com o desejo. O desejo humano, quando separado da Presença, torna se sede sem sabedoria. Quer possuir, conquistar, dominar, aparecer, provar, acumular, vencer o outro e preencher vazios que somente Deus pode tocar. Mas o desejo consagrado torna se vocação. Quando o Buscador e a Buscadora dizem EU SOU, devem perguntar ao próprio coração: aquilo que desejo me aproxima da Verdade ou apenas alimenta minha máscara? Aquilo que busco serve à Vida ou apenas ao meu medo? Aquilo que peço glorifica o Altíssimo em minha conduta ou fortalece minha vaidade? O desejo não deve ser destruído, mas transmutado. O fogo que antes queimava para baixo deve ser elevado ao alto. A força que antes procurava posse deve tornar se entrega. A energia que antes buscava controle deve tornar se serviço. Assim, o desejo se converte em oração encarnada.
Eu contemplo que cada pessoa possui uma atmosfera espiritual construída por suas repetições internas. Não apenas pelas frases que diz em voz alta, mas pelas frases secretas que aceita no silêncio da mente. Há quem sorria por fora e repita por dentro: não sou amado, não sou vista, não sou digno, não sou capaz. Há quem ore com os lábios e alimente medo no ventre. Há quem fale de confiança e durma abraçado à dúvida. Por isso, a prática do EU SOU precisa descer ao subterrâneo da alma, onde vivem as sentenças antigas. Não basta colocar luz na sala se o porão permanece cheio de sombras. O Buscador e a Buscadora devem entrar com a lâmpada da consciência nos lugares internos onde ainda há vergonha, culpa, abandono, ira e descrença. Ali, com ternura firme, devem declarar: EU SOU a Presença de Deus iluminando esta memória. EU SOU a misericórdia dissolvendo esta culpa. EU SOU a Verdade libertando esta emoção cativa. EU SOU o Amor restaurando aquilo que em mim se partiu.
Eu recebo que o EU SOU é também uma disciplina de coerência. A alma não deve decretar paz e cultivar guerra em pequenas atitudes. Não deve decretar abundância e permanecer avarenta no afeto. Não deve decretar luz e procurar prazer nas sombras. Não deve decretar liberdade e alimentar vícios que a escravizam. Não deve decretar cura e continuar retornando ao mesmo veneno emocional. A Presença é compassiva, mas é exata. Ela não condena, porém revela. Ela não humilha, porém corrige. Ela não abandona, porém não mente. Quem deseja caminhar com o EU SOU precisa aceitar que a Luz reorganiza a casa inteira, não apenas o quarto que a personalidade permite mostrar.
Eu vejo que a fé no EU SOU não é fuga do mundo, mas força para transfigurar a maneira de estar no mundo. Aquele e aquela que vivem na Presença devem aprender a falar com mais verdade, comprar com mais consciência, alimentar-se com mais reverência, trabalhar com mais dignidade, amar com mais pureza, descansar sem culpa, servir sem orgulho e escolher com discernimento aquilo que deixam entrar pelos olhos, pelos ouvidos, pela boca e pelo coração. A vida espiritual não acontece apenas no momento da oração. Ela acontece no modo como se responde a uma ofensa, no modo como se trata quem não pode oferecer retorno, no modo como se usa o dinheiro, no modo como se lida com a própria sombra, no modo como se honra a Terra, no modo como se protege a própria energia sem endurecer o amor.
Eu proclamo que o EU SOU revela a diferença entre domínio e controle. Controlar nasce do medo. Dominar a si mesmo nasce da consciência. Controlar quer prender a vida dentro de uma forma. Dominar a si mesmo é tornar se capaz de atravessar as formas sem perder o centro. Controlar o outro é violência sutil. Dominar a própria língua é sabedoria. Controlar os acontecimentos é ilusão. Dominar a própria reação é liberdade. Controlar o caminho é ansiedade. Dominar a atenção é iniciação. Portanto, que o Buscador e a Buscadora não confundam poder espiritual com manipulação da realidade. O verdadeiro poder começa quando a alma deixa de ser arrastada por tudo que vê, ouve, sente e teme. O verdadeiro poder nasce quando a Presença governa aquilo que antes era governado pelo impulso.
Eu sinto que o EU SOU também chama cada ser a reconciliar se com o corpo como templo. O corpo não é inimigo da alma. Ele é o cálice temporário onde a alma aprende, serve, ama, expia, celebra e desperta. Mas o corpo precisa ser tratado com reverência, não com idolatria. A matéria deve ser purificada, não desprezada. A respiração deve ser santificada. O alimento deve ser recebido como força viva. O descanso deve ser respeitado como parte da harmonia. A sexualidade deve ser elevada à dignidade do amor consciente, e não reduzida à compulsão ou ao comércio dos sentidos. Quando o ser diz EU SOU, cada célula escuta de algum modo a direção da consciência. Por isso, que a palavra seja bálsamo, não veneno. Que o pensamento seja jardim, não campo de batalha. Que o sentimento seja água limpa, não lama revolvida.
Eu contemplo, por fim, que o EU SOU é um chamado ao serviço planetário. Não há despertar verdadeiro que termine apenas no conforto individual. A Luz recebida deve circular. A paz cultivada deve irradiar. A sabedoria compreendida deve se tornar gesto. O mundo sofre não apenas por falta de recursos externos, mas por excesso de consciências separadas da Fonte. Cada coração que se alinha à Presença se torna um pequeno sol oculto trabalhando pela regeneração da humanidade. Uma palavra pacificada cura ambientes. Uma oração sincera suaviza campos densos. Uma atitude justa interrompe heranças de violência. Um perdão verdadeiro desarma correntes antigas. Uma vida coerente ensina mais do que muitos discursos. Assim, o EU SOU não é apenas uma chave para a ascensão individual. É uma oferta ao corpo maior da Vida, uma colaboração íntima com a restauração da Terra, uma chama colocada no altar do mundo.
E eu encerro estes acréscimos dizendo ao Buscador e à Buscadora da Verdade: não tenhais pressa de parecer iluminados. Tende sede de serdes verdadeiros. Não busqueis usar o EU SOU como coroa para a personalidade. Permita que ele seja arado no campo do coração. Que ele rasgue a terra endurecida, exponha raízes antigas, revolva memórias ocultas e prepare o solo para uma nova semeadura. A Presença não vem apenas para consolar. Ela vem para consagrar. Não vem apenas para aliviar. Ela vem para libertar. Não vem apenas para dar algo ao ego. Ela vem para devolver a alma ao Altíssimo. E quando a alma retorna, mesmo ainda caminhando entre provas, ela já não caminha como órfã. Ela caminha como chama viva, dizendo com humildade, firmeza e amor: EU SOU a Vida de Deus em mim, e escolho manifestar esta Vida com verdade, serviço, pureza e compaixão.
Mensageiro da Sagrada Alquimia do EU SOU sob a Ordem Divina do Mestre Yeshua Ha'Mashiach
Jp Santsil
