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Pedro Santos

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AURORA

Contos0h atrás

Aurora Claro, secretamente, sempre existiu uma causa, por mais que às vezes possa vir a ser maldita, que nos faz ir além do que naturalmente poderíamos e pensamos. Na prática parece simples, mas seria uma tarefa, mais que impossível, retratar a quantidade de pensamentos que invadem nossa mente de modo agressivo, acompanhado pelo desejo, para que possamos trair a nossa própria natureza; alguns se traem por coisas que os olhos podem ver, outros, como uma droga, pelo o que se pode sentir. O que não contamos na maioria das vezes, é seu efeito. Já era quase o fim da noite. Se apartasse os olhos, bem forte, já podia ver os primeiros raios de sol surgindo no horizonte. O cheiro do álcool subia ao nariz de forma putrefata e vergonhosa. Os candelabros acesos junto com os lampiões que davam um pouco de luz à taverna traziam consigo um pouco de calor. Minhas costas estavam destruídas por, provavelmente, ter dormido ou desmaiado como um bêbado sobre a mesa. Olhei à minha volta, ao lugar podre com madeiras cheias de cupim caindo aos pedaços e percebi que estava sozinho, logo, meu coração se contraiu e um lampejo tão forte de memória veio à mente. Era bem verdade que sempre correu soltos pela cidade de ---- boatos de feitiçaria. A própria igreja lidava com assuntos do tipo. Logo eu, que não posso dizer abertamente o valor de minha fortuna, nunca precisei me importar com coisas do tipo. No entanto, algo perverso corria à mente; algo que me fazia questionar o modo que eu passava os dias. Era tedioso as formalidades e o modo como me tratavam pela minha posição social e riqueza. Sendo mais claro e sincero, tudo parecia idiota e líquido, não havia nada que fazia meu coração pulsar de modo que só pulsaria, ou pulsa, os corações apaixonados, sejam por idiotice ou não. Pois bem, no auge de minha lembrança, lembrei-me de Fortunato, um dos meus melhores amigos na época do colégio de medicina que retornara à cidade há poucos dias. Contei-lhe minha inclinação maldita pelo desejo, simples e complexo, de sentir o que poucos têm a oportunidade de sentir; queria sentir o amor pulsando em cada veia que corre meu sangue, jogado em um devaneio cósmico e inexplicavelmente junto ao inconsciente.

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