PARTE I — O DESASTRE TINHA OLHOS BONITOS

PARTE I — O DESASTRE TINHA OLHOS BONITOS

De qual planeta você é?

 

Às vezes, eu me pergunto de qual planeta você veio.

 

Porque ninguém me ensinou a lidar com alguém que escreve coisas bonitas enquanto me deixa tentando descobrir se alguma delas é sobre mim.

 

Você fala de amor como quem conhece o caminho.

 

Escreve sobre saudade como quem já perdeu alguém.

 

Faz músicas que parecem carregar sentimentos inteiros dentro de poucas notas.

 

E eu fico aqui.

 

Completamente idiota.

 

Tentando descobrir se existe uma mensagem escondida em alguma estrofe, se determinada palavra foi escolhida por acaso ou se, em algum momento, você também pensou em mim.

 

É ridículo.

 

Eu sei.

 

Mas queria que você entendesse como é estar do outro lado.

 

Como é ouvir uma música sua e precisar me lembrar de que ela não me pertence.

 

Como é ler um poema seu e sentir ciúme de uma mulher que talvez nunca tenha sequer ouvido falar de mim.

 

Como é querer ser feliz por você enquanto alguma coisa dentro de mim pergunta por que nunca fui eu.

 

Às vezes, eu queria que você fosse apenas um homem.

 

Um homem comum.

 

Com músicas comuns, palavras comuns e sentimentos que não precisassem ser decifrados.

 

Mas você tinha que ser justamente você.

 

E eu tinha que ser justamente essa mulher que encontra universos inteiros em coisas que talvez não signifiquem absolutamente nada.